segunda-feira, 17 de julho de 2017

RoboCop - O Polícia do Futuro (1987)

O ano era 1987. O ano em que o Porto ganhou a sua primeira Taça dos Campeões, Ayrton Senna venceu o Grand Prix do Mónaco, os U2 lançam o álbum "Joshua Tree" e Michael Jackson "Bad", Portugal e a China chegavam a acordo sobre a mudança de Macau para mãos chinesas, nasciam Maria Sharapova e Aaron Carter, morreu Andy Warhol e Dalida; e a população do planeta Terra alcançou os 5 mil milhões.

O ano em que uma pedrada atingiu o charco da sétima arte. Não vou falar dos hábitos intoxicantes das estrelas de Hollywood, mas de um clássico do cinema de acção : "RoboCop", do realizador holandês Paul Verhoeven ("Desafio Total", "Instinto Fatal", "Starship Troopers").


Na minha opinião um dos melhores filmes de acção de sempre, com forte componente de sátira e crítica social. Este post estava em rascunho quase desde o começo da Enciclopédia de Cromos.
A sinopse é rápida: Alex Murphy (Peter Weller, de "As Aventuras de Buckaroo Banzai na 8ª Dimensão"), pai de famíla e um bom polícia, é brutalmente assassinado pela escória criminosa que assola a cidade de  Detroit num "futuro próximo" (na época). O que resta do seu corpo é reconstruído pela omnipresente corporação OCP como um organismo cibernético, meio homem, meio máquina, nascendo assim o "polícia do futuro". Mas nem tudo é diversão e rebentar testículos de meliantes: aos poucos RoboCop começa a recuperar as memórias de Murphy e até tem que combater a sua programação para eliminar os seus assassinos e os cúmplices na OCP.


Conta a lenda, que a ideia para o filme surgiu de uma inversão de "Blade Runner: Perigo Iminente", em que um humano* caça robots, e que o design original era uma cópia do personagem de culto Judge Dredd, um polícia humano mas inflexível como uma máquina. O filme é uma hábil mescla de ultraviolência, acção, crítica social, humor negro e questionamentos sobre a relação homem-máquina. Pode um polícia massacrado por um gang ser refeito num corpo cyborg para ser o agente de autoridade perfeito e obediente? Ou a consciência de um homem bom pode ultrapassar o código da programação, e transformar uma máquina em algo mais?

Em Portugal estreou a 23 de Outubro de 1987, com a classificação para "Maiores de 18 Anos", e bem, tal o nível de ultraviolência da fita. A atenção que lhe foi dada no "Diário de Lisboa" foi tão grande que nem lhe deram a pontuação em "estrelas" ou uma crítica além de parte da frase de promoção: "Meio Homem, Meio Máquina, Todo Polícia!".

"Diário de Lisboa" [23-10-1987]

O anúncio ao filme em formato VHS, é claro:

"Diário de Lisboa" [01-04-1989]


Há alguns anos participei no Podcast "VHS" dedicado ao "RoboCop", podem ouver aqui:



Ao filme seguiram-se duas continuações - "Robocop 2" e "RoboCop 3" em qualidade descrescente, um remake em 2014, "RoboCop"; adaptações a banda desenhada, videojogos (consta que a versão para ZX Spectrum era das melhores) e claro: "Robocop: The Series" (1994) e "RoboCop: Prime Directives" (2001) as séries de imagem real. 

Existiram até desenhos animados para os mais novos: "RoboCop: The Animated Series" (1988) e "RoboCop: Alpha Commando" (1998-99)!

A banda sonora este a cargo do mestre Basil Poledouris ("Conan e os Bárbaros", "Starship Troopers", "A Lagoa Azul", entre outros). Está inteira no Youtube: "RoboCop".

* Este aspecto depende da interpretação de cada espectador ou das várias versões do Blade Runner que existem...


sábado, 15 de julho de 2017

Maia & Borges - Anúncio de Natal (1985)


Uma empresa nacional mítica como a "Maia & Borges" - em actividade desde 1976 - merece um cromo especial bem mais extenso, mas por enquanto ficamos com este pequeno anúncio de meia página numa revista Disney de 1985, que foi ilustrado com as figuras do Donald, Mickey e Pateta - escolhidos do extenso catálogo da empresa responsável por tanta colecção de PVC que fez as delicias da geração que cresceu nos anos 80 [Heidi, Abelha Maia, Dartacão, etc] - com a temática do Natal, que estava à porta quando esta revista foi colocada no mercado.

Além da foto dos pequenos PVCs, o logotipo da empresa - ainda hoje em uso - e no fundo a informação:
"Especializados em figuras de plástico PVC pintadas (Não Tóxicas) - Produtores e Exportadores - Telefone 9482962 - Telex 22844 - MAIBOR P NOGUEIRA - 4470 MAIA".



Imagens digitalizadas da revista "Disney Extra" Nº 4 (29/11/1985) e editadas por Enciclopédia de Cromos.
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domingo, 9 de julho de 2017

Tron (1982) A Estreia em Portugal




No começo da Enciclopédia recuperei um artigo do meu blog CINE31 sobre este clássico da sci-fi dos anos 80 e que só na altura que o escrevi visionei pela primeira vez "Tron" ("TRON" na grafia original), apesar de há muito ler sobre ele e a revolução que foi para os efeitos especiais no cinema: "Tron" (1982) - Enciclopédia de Cromos. Mais tarde acrescentei no post um video que gravei de uma cassete VHS, aquando da sua exibição na Primeira Matiné em 1991. Tenho na minha colecção um pequeno livro para os mais jovens, que era acompanhado de uma cassete audio. Conto brevemente passar o livro no scanner e juntá-lo ao acervo da Enciclopédia.



Se a estreia americana foi em 9 de Julho de 1982, em plena época dos blockbusters, em Portugal a estreia foi no dia 16 de Dezembro de 1982, já com a pequenada em Férias de Natal. Digo pequenada, visto que era um filme da Disney - em imagem real, mas da Disney - que no entanto estreou com o carimbo "Não aconselhável a menores de 13 anos". Creio que apesar da crescente popularidade dos computadores pessoais e videojogos, boa parte do público - com menos ou mais de 13 anos - não terá percebido todas as metáforas e simbolismos da linguagem informática que permeiam o filme, uma aventura dentro de um computador.

A estreia na capital, no cinema "Monumental":


"Diário de Lisboa" [16-12-1982]
No suplemento "Sete Ponto Sete" do "Diário de Lisboa", "Tron" foi brindado com 2 estrelas, como "Poltergeist" ou "Annie" por exemplo. Curiosamente, a primeira aventura de Indiana Jones, "Os salteadores da arca perdida" foi pontuado com 3 estrelas (Bom) e "E.T. - o Extra-Terrestre" com o máximo de 4 estrelas (Excepcional).
"Diário de Lisboa" [24-12-1982]
Das que li neste jornal, pelo menos no que toca a blockbusters paridos do imperialismo americano, esta será das críticas mais construtivas, ao apontar os pontos fracos mas também a sublinhar o arrojo do conceito e da execução da película. 
Clicar na imagem para aumentar:

"Diário de Lisboa" [24-12-1982]

Uns dias mais tarde, a crítica foi bem resumida da seguinte forma, que subscrevo:

"Diário de Lisboa" [31-12-1982]
E décadas depois da sua estreia cá estamos a falar sobre ele.

Como não encontrei ainda a versão nacional, o poster do topo do post é o espanhol.

"Tron" (1982) - Enciclopédia de Cromos


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Regresso Ao Futuro (1985) A estreia em Portugal



"Regresso Ao Futuro" é um dos meus filmes favoritos, que não deve existir português que nunca tenha visto, tantas as vezes que a trilogia passou nas nossas TVs. Tenho em casa um box em DVD, várias cassetes VHS com o filme e as continuações (filmadas em simultâneo). A saga aliás merece um cromo mais extenso, mas como no dia de hoje se comemora mais um aniversário da estreia deste primeiro capítulo nos EUA - a 3 de Julho de 1985 - fui vasculhar os arquivos onde guardo material que recolho da Internet, e lá estavam algum apontamentos da imprensa da altura em que este clássico estreou em Portugal, a 19 de Dezembro de 1985, mesmo ao queres da época natalícia. A primeira vez que o vi foi na RTP, mas é daquelas maravilhas que nunca cansa o espectador, com a sua mistura perfeita de ficção científica, comédia, nostalgia, um grande elenco encabeçado por Michael J. Fox ("Quem Sai Aos Seus") e Christopher Lloyd ("A Família Addams"), banda sonora e realização de um dos "aprendizes" de Steven Spielberg (aqui produtor), Robert Zemeckis ("Quem tramou Roger Rabbit?", "Em Busca da Esmeralda Perdida" ou o meu favorito "Contacto"). Vamos ver então o que se disse em Portugal sobre as desventuras de um teenager dos anos 80 que viaja aos anos 50 na máquina do tempo do seu excêntrico amigo inventor.


O quadro com "as estrelas", as pontuações dos filmes em exibição nos cinemas nacionais, do jornal "Diário de Lisboa":
"Diário de Lisboa" [20-12-1985]
O nosso herói Marty McFly safou-se com apenas 3 estrelas. A continuação de um clássico de acção dos anos 80, "Rambo - A Vingança do Herói" foi corrido bolinha preta!

No suplemento "Cartaz":

"Diário de Lisboa" [20-12-1985]

"As ficções com a marca de Spielberg na aurela continuam a dominar o êxito e a congregar aplausos. É como se ele tivesse descoberto uma fórmula mágica que fabricasse entretenimento com um simples estalar de dedos". 
Como esperado, o tradicional pessimismo da crítica portuguesa conclui que apesar de todos os pontos positivos que lista: "Mas... Mas o cinema pode ser só isto?".


A crítica de Jorge Leitão Ramos, que elabora em mais detalhe não sobre o filme mas o rumo a que os sucesso dos filmes de Spielberg e Lucas poderiam conduzir o cinema. Interrogações legítimas, um 'debate' que mais de 3 décadas depois ainda continua. Este texto podia ter sido escrito na segunda década do século XXI por algum dos meus colegas bloggers preocupados com os blockbusters actuais. Sem querer parecer outro velho do Restelo, queria eu que Spielberg e Lucas ainda fossem o padrão para o cinema de entretenimento...

Clicar para aumentar:

"Diário de Lisboa" [31-12-1985]


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quarta-feira, 28 de junho de 2017

As Carrinhas da Family Frost

No post anterior o Paulo Neto recordou a "Carrinha Mágica (1994-97)" , amarela como as que recordo hoje. Há algum tempo conversava em casa sobre umas carrinhas que vendiam congelados e que tinham desaparecido de circulação. Por coincidência, no Facebook descobri através do Luís Filipe Ramos que a tal empresa se chamava "Family Frost"




Munido dessa informação, fui pesquisar no Google e rapidamente surgem as noticias a dar conta da insolvência da empresa em Portugal em 2012, que lançou no desemprego mais de duas centenas de trabalhadores que percorriam as zonas mais recônditas do país a bordo das carrinhas amarelas a vender pizzas, rissóis e gelados congelados ao som de uma música irritante que podem ouvir aqui: "Melodia Family Frost". Dizem as Wikipédias polaca e checa que a música é derivada de uma popular canção sueca de embalar. A versão estridente no altifalante das carrinhas deve é ter acordado muito petiz por essa Europa fora.

Eu já era adulto quando ia à porta da casa assistir às compras, sempre na esperança de que alguns gelados ou pizzas viessem morar no congelador, mas geralmente eram escolhidos rissóis, peixe ou aquelas "almofadinhas" recheadas de queijo e fiambre.





A origem da empresa é alemã, e terá chegado a Portugal em 1997. Desconheço se no nosso país alguma outra empresa assumiu o nicho de negócio, que não necessitava de gastos em publicidade, visto que eram as compras que chegavam à porta do cliente.
Notícias relacionadas:
Acreditem ou não, existe um modelo em 3D (não oficial, acho) da carrinha para o jogo "Grand Theft Auto IV".



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segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Carrinha Mágica (1994-97)

por Paulo Neto

Eis mais uma série que me traz a memórias do "Um Dó Li Tá", o espaço infanto-juvenil da RTP 2 nos anos 90, que eu amiúde via com o meu irmão após a escola. Esta série tinha uma premissa absolutamente vencedora: qual era o petiz que não preferiria estudar ciências vendo as coisas acontecendo de perto em vez de dentro das quatro paredes de uma sala de aula?



"A Carrinha Mágica" (no original "The Magical Schoolbus") começou como uma série de livros infantis iniciada em 1986 da autoria de Joanna Cole com ilustrações de Bruce Degen, contando a história de uma excêntrica mas simpática professora que graças a uma carrinha escolar muito especial levava os seus alunos a aprenderem divertidas lições sobre ciência nas mais diversas situações, com por exemplo, no espaço, no fundo do mar e até dentro do corpo humano. Ao todo foram produzidos quatro temporadas de treze episódios entre 1994 e 1997, exibidos em Portugal na RTP 2 entre 1995 e 1999 (mais tarde a série também foi transmitida no Canal Panda). Durante as primeiras três temporadas da versão portuguesa, os nomes das personagens foram aportuguesados mas na quarta temporada, optou-se por usar os nomes originais.



A protagonista é a Sra. Frisadinha (ou Miss Frizzle), a quem os alunos chamam-lhe pelo diminutivo de Friz. Apesar de todas as suas excentricidades, como as entradas exuberantes na sala de aula, os vestidos e os brincos que usa que estão sempre relacionados com o tema do episódio ou a tendência para citar os seus parentes (imitando-lhes a voz e tudo), a Friz é uma pessoa muito inteligente, divertida, corajosa e quase maternal para com os seus alunos. É ela que guia a carrinha em cada episódio, transformando-a consoante as necessidades do tema do episódio, seja por artes mágicas, seja graças a um misterioso software. Na versão original, a sua voz foi dobrada pela famosa comediante Lily Tomlyn.

1- Arnaldo, 2- Filó, 3-Carlos, 4-Ana Isabel, 5-Joana, 6-Kika, 7-Frisadinha
8-Carrinha, 9-Rafa, 10-Tó, 11-Vanda, 12-Liz


A turma de Frisadinha é composta por oito alunos, de várias etnias. Arnaldo (Arnold) é o típico nerd caixa-de-óculos, e apesar de ser o que menos gosta das viagens da carrinha e parecer algo medricas, consegue demonstrar a sua coragem quando é necessário. Carlos é o latino-americano, que gosta mais de aprender na prática do que nos livros e está sempre a fazer piadas, embora os seus colegas não achem muita graça (é comum eles dizerem-lhe em coro de forma reprovadora: "Carlos!"). Ana Isabel (Dorothy Anne), a loura dos totós, é o cérebro da turma, que traz sempre uma saca a tiracolo com livros e durante as viagens da carrinha, costuma começar muitas frases com "Segundo o que eu investiguei...". Kika (Keesha), a aluna afro-americana, é a mais sensata e realista da turma, chegando a ser sarcástica, embora também tenha um espírito aventureiro. A meiga e sensível Filó (Phoebe) é a mais recente aluna da turma e por isso, costuma frequentemente dizer frases começadas por "Na minha antiga escola...". Rafa (Ralphie) é o desportista da turma e por vezes assume o lugar de líder, embora por vezes seja cabeça-no-ar ou precipitado. Tó (Tim) é o outro aluno afro-americano, dotado de sensibilidade artística. Vanda (Wanda), a aluna asiática, é uma maria-rapaz aventureira e a maior adepta das viagens da Carrinha Mágica. Falta ainda falar de Liz, o camaleão-de-jackson que é mascote da turma, que se costuma meter em sarilhos. Em alguns episódios, Joana (Janet), a prima sabichona e presunçosa de Arnaldo, surgia como antagonista.

No final de cada episódio, existia um segmento em supostamente telespectadores da série ligavam para os produtores para apontar qualquer omissão no episódio sobre o respectivo tema ou para pedir informações mais específicas sobre algo relacionado com esse tema.

Apesar de ser uma constante, nunca é demais referir que a dobragem portuguesa da série era excelente, embora o elenco tenha sofrido várias alterações ao longo da temporadas. Tó foi a única personagem que teve sempre o mesmo actor a dobrar a sua voz, Luís Lucas. Nomes como Teresa Sobral, Helena Isabel, Miguel Guilherme, Peter Michael, Alexandra Sedas, Maria João Abreu, Fernando Luís, Paulo Oom, Teresa Madruga, Carmen Santos e Cláudia Cadima (que assumiu a função da direcção) fizeram parte do elenco de dobragem nos diversos alinhamentos. O tema da série era cantada na versão original por Little Richard e na dobragem portuguesa por Fernando Luís.



Além da série animada e da colecção de livros, "A Carrinha Mágica" também teve uma série de jogos de vídeo. Em 2014, foram anunciados planos para uma nova série em animação 3D.  

Genérico:



Alguns episódios disponíveis no DailyMotion



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Masterplan (2002)

por Paulo Neto

O panorama televisivo nacional no início deste século foi indelevelmente marcado pelos reality shows. Depois de três triunfantes edições do "Big Brother", um polémico "Bar da TV" e uns não tão bem sucedidos "Acorrentados", "Confiança Cega" e "Survivor", no início de 2002 seria legítimo perguntar quando chegaria o próximo programa-choque. E a 4 de Março desse ano, a SIC deu a resposta com o "Masterplan - O Grande Mestre".



"Masterplan" tinha a particularidade de ser o primeiro reality show da Endemol a ter a sua edição pioneira em Portugal, estando então previstas adaptações posteriores em outros países. A premissa do programa tinha algumas semelhanças com os filmes "EdTV" e "The Truman Show": dois concorrentes, um masculino e outro feminino, teriam a sua vida acompanhada por câmaras ao longo da sua permanência no programa. Cada um possuía um telemóvel, onde através de SMS, recebiam ordens do Grande Mestre para executar algumas tarefas e provas (estávamos portanto perante um antepassado da Voz do "Secret Story"), podendo sofrer alguma punição caso não obedecessem. Muitas dessas tarefas teriam como objectivo levar os concorrentes a explorar situações nunca antes vivenciadas (como por exemplo trabalhar por um dia num determinado ofício) e desenvolver potencialidades que eles não pensariam ter.
Além disso a cada semana, cada concorrente tinha o seu desafiador que interagia com ele. O público votaria então online e SMS num dos dois e consoante os resultados revelados a cada sexta-feira em directo, o/a concorrente continuaria no programa ou o/a desafiadora(a) tomaria o seu lugar. A apresentação esteve a cargo de Herman José nos directos e Marisa Cruz, que se estreava como apresentadora após ter feito sensação com o anúncio da revista Maxmen, nos blocos diários após o Jornal da Noite.
A duração do programa estava tentativamente prevista para ser de um ano, mas acabou por durar seis meses, de 4 de Março a 6 de Setembro.



Marisa Cruz apresentava os blocos diários


Os dois primeiros concorrentes foram Nelson Rodrigues, um estudante de 24 anos de Leiria e Gisela Serrano, uma lisboeta então com 29 anos e a trabalhar numa loja de telemóveis. Nas duas primeiras semanas, o programa limitava-se a acompanhar as vidas de Gisela e Nelson e às situações a que o Grande Mestre os sujeitava. Só a partir da terceira semana é que os dois começaram a enfrentar os desafiadores.

 
E sim, não há como o negar, Gisela Serrano foi a principal figura do programa e a razão pela qual ainda hoje as pessoas se lembram dele. Por isso mesmo, pretendo deixar ela para o fim e começar por falar sobre os outros concorrentes e desafiadores que ao contrário dela, caíram no esquecimento. O pior é que, uma vez mais, existe pouquíssima informação na internet sobre o programa pelo que mais uma vez tive de recorrer àquilo que consegui reter na memória sobre o "Masterplan". E não consegui encontrar fotografias da grande maioria dos participantes.

Uma das coisas interessantes sobre a competição em si foi as discrepâncias entre a competição feminina e a masculina, com a primeira a ser de longe a que causou mais impacto, tanto a nível de concorrentes como de desafiadoras. A vertente masculina foi bem mais discreta e entre Nelson Rodrigues e Gabriel Gonçalves (28 anos, Ermesinde), o concorrente que mais tempo resistiu, o posto principal masculino no programa foi passando sucessivamente a cada semana entre outros concorrentes. Recordo-me particularmente dois: Bruno Lopes (22 anos, Lisboa), filho de Virgílio, jogador do Sporting nos anos 70 e 80 e José Pedro aka Toty (28 anos, Carnaxide) que trabalhava em part-time como travesti. Os outros concorrentes que consegui apurar foram Miguel (24 anos, Matosinhos), Joaquim (24 anos, Lisboa), Guy (24 anos, Póvoa de Santa Iria), Vítor (23 anos, Tomar), Eduardo (29 anos, Vila Nova de Gaia) e Miguel Madureira (29 anos, Porto).

Gabriel Gonçalves


Vera Alves e Guy

A vertente feminina da competição acabou por ter somente quatro concorrentes. Após a desistência de Gisela Serrano, Sandra Leonardo (28 anos, Camarate) tomou o lugar sendo duas semanas depois sucedida por Vera Alves (22 anos, Leiria) e algumas semanas depois esta foi sucedida por Gisela Ildefonso (30 anos, Almada). Sim, houve outra Gisela no Masterplan e tão polémica como a original.
Aliás no final do programa, Gisela Ildefonso foi a vencedora, com Gabriel em segundo lugar, Nelson em terceiro lugar e Vera em quarto.

Antes de abordarmos por fim a Gisela Serrano, eis algumas coisas que me recordo sobre o programa.
- A primeira desafiadora de Gisela Serrano foi Raquel Broegas, que nesse ano também tinha participado em "A Ilha da Tentação" e que nos anos seguintes, viria a aparecer esporadicamente na imprensa cor-de-rosa, nomeadamente devido a um alegado romance com o célebre Dr. Tallon. Raquel Broegas conseguiu mesmo a proeza de ficar empatada com Gisela na primeira semana, continuando como desafiadora na semana seguinte, onde seria eliminada.
- Entre concorrentes e desafiadoras, aquela que eu me lembro de achar a rapariga mais bonita que entrou na competição foi a segunda desafiadora de Gisela Serrano, que se chamava Patrícia.
- Durante o concurso, foi revelado que Nelson tinha um crush por uma colega de curso chamada Vera e o Grande Mestre até tentou criar um romance entre os dois, mas a rapariga só o via como amigo.
- Em alguns dos programas em directo, esteve presente um pastor brasileiro (acho que da IURD) que incendiou a assistência com as suas acusações de imoralidade aos concorrentes e até mesmo aos envolvidos no programa.
- Antes de entrar como concorrente, Sandra Leonardo esteve no programa como membro da assistência e trocou algumas palavras inflamadas com Gisela Serrano.
- Gabriel teve alguns momentos escaldantes com uma stripper brasileira chamada Carol que lhe apareceu em casa sob ordens do Grande Mestre. Outro momento cómico foi quando ele e Vera tiveram de pernoitar juntos e esta passou a noite toda a queixar-se do chulé do rapaz.
- À parte o núcleo familiar de Gisela Serrano, o parente mais marcante do programa foi a avó de Gabriel, a Dona Nídia, uma adorável idosa que se notava ter uma forte ligação ao neto.
- Um amigo meu participou no programa como árbitro numa luta entre Vera e Gisela Ildefonso no Parque dos Índios em Monsanto. (Se alguém tiver em vídeo essa cena, ele gostava muito de ter uma cópia).    
- A mais marcante desafiadora de Gisela Ildefonso foi Isabel ou Becas, uma mulher orgulhoso dos seus quilinhos a mais e que tinha um namorado bem magrinho que ela decidiu, segundo contava, conquistá-lo assim que o viu.
- A entrada de Gisela Ildefonso foi logo a matar criticando logo Vera e a então desafiadora Mafalda (que ela chamou de "tonhó", palavra que Herman José amiúde repetiu).
- O momento mais polémico do programa (não relacionado com Gisela Serrano) foi o último directo onde uma altercação entre Gisela Ildefonso e vários dos ex-concorrentes acabou por se tornar bastante feia com muitas trocas de insultos, culminando no desmaio de Dona Nídia.
-  A certa altura, começou a haver uma vertente paralela do programa, com uma figura famosa a estar a ordem do Grande Mestre durante uma semana para angariar dinheiro por uma causa. A primeira concorrente VIP foi a própria Marisa Cruz. Outros como Maya, Kapinha e Maria João Simões (que é feito de si?) também participaram nessa vertente.
- O tema do programa era "Sigo A Viagem", escrito e produzido por Augusto "Gutto" Armada (o Bantú dos Black Company) e interpretada pelas gémeas Carina e Tânia Rodrigues que tinham participado no programa "Popstars" onde foram escolhidos os membros de girlband Non Stop. Carina e Tânia iniciavam então uma carreira de duo pop com o originalíssimo nome de Gémeas, tendo editado um álbum em 2003. Quem se lembra do refrão?

Sigo a viagem que me vai fazer mudar
Contigo a teu lado ganho asas para voar
Faço parte do teus planos, o teu caminho é o meu
Estás em todo o lado, vamos juntos tu e eu 




E eis-nos chegados à Gisela Serrano, aquela que também viria a ser conhecida como a "mulher-furacão". Desde praticamente o início do programa que Gisela roubou as atenções com o seu pêlo na venta e também o seu companheiro de então Luís Mendes, a sua mãe Dilar Relvas e o companheiro desta, conhecido como Quinquinhas, se tornaram rostos reconhecíveis. Para além das várias discussões com Luís, destacam-se a chinelada que deu a um stripper que foi a sua casa para lhe dar uma massagem e um alívio fisiológico numa piscina natural dos Açores. Mas claro que o ponto alto foi o seu confronto desenfreado com a desafiadora Sandra Leão. Esta lançou logo assim que surgiu no programa um ataque cerrado a Gisela, instando a agressões verbais e físicas, mas a situação culminou durante uma viagem até Peniche, quando as duas seguiam num carro com Luís. No advento do YouTube, essa cena foi um dos primeiros vídeos portugueses virais.

Sandra Leão





Gisela Serrano viria a desistir do programa no dia 1 de Junho de 2002, alegando cansaço e não querer enfrentar outra Sandra. Anos mais tarde, declarou que o fez porque lhe disseram que os resultados iriam ser manipulados para ela não ganhar, porque estava previsto que o prémio final fosse proporcional ao tempo em que o concorrente vencedor estivesse em jogo e o prémio final dela caso ganhasse estouraria com o orçamento. Em 2012, nos "Perdidos & Achados" Gisela ainda afirmou que nunca tivera uma relação com Luís, que era apenas um amigo, mas apesar do casamento de ambos durante o programa ter sido falso, a imprensa cor-de-rosa apurou que de facto houve um casamento real entre ambos após o fim do programa no Registo Civil. 
Gisela Serrano capitalizou a sua fama nos tempos que se seguiram, mudando-se para a TVI onde entrou no "Big Brother Famosos 2" e apresentando um efémero programa, "A Hora da Gi". Desde então. ela tem aparecido esporadicamente na televisão, como por exemplo em "O Poder Do Amor" e "A Quinta". Luís Mendes concorreu na quinta edição de "A Casa dos Segredos" com a sua actual esposa Cinthia, que estava grávida na altura. A Dona Dilar chegou a fazer parte de um painel de comentadoras do programa de Fátima Lopes na SIC. 


Após a edição portuguesa, o "Masterplan" chegou a ter edições na Holanda e na Suécia, mas ambas fracassaram. Especulou-se em 2003 um regresso com uma edição com famosos, mas nunca se concretizou.

Selecção de vídeos:


Gabriel vai a uma academia de hip hop


Vídeo promocional com Vera Alves e Miguel Madureira



Luta na lama entre Gisela Serrano e Carla, uma das suas desafiadoras

 

Bruno aprende capoeira


Strip-tease de Guy e Bruno, com aparição de Marko dos "Acorrentados" (vídeo sem som)



Excerto da participação de Maya (vídeo sem som)


Convívio dos concorrentes na festa de encerramento do programa



Genérico e excertos dos programa:

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