terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Império Contra-Ataca - Edição Especial (1997)



Há muito tempo, numa galáxia muito muito distante... Quer dizer, em 21 Fevereiro de 1997 o segundo (ou quinto) capítulo da saga Star Wars ("A Guerra das Estrelas") - "O Império Contra-Ataca" ("The Empire Strikes Back") de 1980 renascia para as novas gerações e horror dos fanboys hardcore que tremeram com cada pequena alteração que George Lucas infligiu na Sagrada Trindade. A ocasião para esta Edição Especial era comemorar o 20º aniversário do lançamento do primeiro "A Guerra das Estrelas" (1977) e alegadamente conseguir uma versão mais fiel à imaginada pelo criador George Lucas e que a tecnologia dos anos 70 ainda não permitia.

O trailer d'"O Império Contra-Ataca Edição Especial":



Da trilogia original este foi o filme que menos alterações sofreu. Na época que consegui a cassete (comprada na FNAC, numa excursão ao Colombo em 1998, se não me engano) - porque infelizmente não revi nenhum deles no cinema - fiquei contente principalmente por terem corrigido os efeitos especiais na Batalha de Hoth, quando os snowspeeders das forças rebeldes surgiam transparentes, por problemas relacionados com o green-screen utilizado nas filmagens das miniaturas. Para saber mais detalhes das mudanças das Edição especial do "Império Contra-Ataca" consultem esta lista da Wikipédia: ""List of changes in Star Wars re-releases"".

O seguinte vídeo faz uma listagem exaustiva dessas mesmas mudanças, apesar de recorrer na maioria a imagens de outros relançamentos posteriores e com efeitos melhorados:




Depois da destruição da Estrela da Morte, o Império dobra esforços para erradicar os Rebeldes. Luke Skywalker continua o treino para se tornar um Jedi, e perto do final do filme um dos grandes plot twist de sempre: SPOILERS (!) o maléfico Darth Vader é o pai de Luke!











Este recorte da época alude ás modificações da Edição Especial, no entanto as fotos pertencem ao filme anterior, "Uma Nova Esperança", que continua a ser o meu preferido da saga.

Wizard Nº 9 - Abril 1997.
A capa da edição nacional em VHS:


Recorde algumas fotos destes tesourinhos da minha colecção pessoal:  "StarWars" em VHS. Aliás, todas as fotos deste artigo foram digitalizadas por mim, tanto a capa da cassete VHS como os screenshots do filme.


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Festival RTP da Canção de 1982

por Paulo Neto

Numa altura em que decorre o Festival da Canção deste ano, tempo para recuar 35 anos atrás e recordar o 19.º Festival RTP da Canção que teve lugar a 6 de Março de 1982 no Teatro Maria Matos, precisamente na véspera do dia em que a RTP completava 25 anos de emissões.
Eu não me recordo deste Festival na altura em que foi exibido, até porque na altura eu nem sequer tinha ainda completado dois anos de vida, mas vi há uns anos atrás foi transmitido da RTP Memória e achei uma edição bastante interessante pois teve a sua boa dose de cromice típica dos anos 80 e por onde passaram vários nomes ainda hoje conhecidos.


Alice Cruz e Fialho Gouveia


Foram doze as canções que foram apresentadas no Maria Matos para a selecção de qual seria aquela que iria representar Portugal no Festival da Eurovisão de 1982, que nesse teria lugar na pequena cidade inglesa de Harrogate (fica prometido um cromo sobre essa edição lá para Maio) e talvez por isso, houve a actuação especial de um grupo britânico de bailado moderno de nome Wall Street Crash. A condução do momento das votações esteve a cargo de Alice Cruz e Fialho Gouveia, mas como já falei aqui antes, a apresentação das canções esteve a cargo de uma dupla absolutamente mítica: o Agostinho e a Agostinha, os companheiros da pinga lendariamente interpretados por Camilo de Oliveira e Ivone Silva no "Sabadabadu".

Ivone Silva e Camilo de Oliveira...
ou melhor Agostinha e Agostinho

Antes de cada canção, a parelha ébria cantava uma versão do seu famoso tema onde conseguiam encaixar o título da canção, o intérprete, o autor e o compositor, para além do refrão do tema ter sido adaptado para o evento que agora ficava assim:

Ai Agostinho, ai minha amiga
Ai o gostinho de uma cantiga
Olha a audiência do Festival
Uns dizem bem, outros mal
Olha a audiência que a gente tem
Uns dizem mal e outros bem
Isto é que vai uma festa
Isto é que vai uma festa

Dada a histórica popularidade da canção vencedora, eu estava convencido que tinha sido uma vitória incontestada, mas na verdade foi um dos Festivais mais disputados de sempre com a liderança a mudar algumas vezes de mãos e destacando-se três canções nessa disputa. Mas primeiro vamos falar das outras nove.

Isa
Joana

Nos anos 80, pelos palcos do Festival da Canção passaram diversas cantoras de apenas um nome das quais pouco ou nada se soube desde então. (Por exemplo, Sofia e Tessa em 1983, Marisa em 1984, Eduarda em 1985, Glória e Nené em 1987) Em 1982, duas dessas cantoras de um nome só foram Isa e Joana. A primeira cantou um "Sonho A Dois" mas ficou em último lugar, a segunda deu voz a um "Amor Português" que ficou em sétimo lugar.

Fernanda (Ágata)

Houve uma terceira jovem cantora de um nome só, mas essa viria a ser bem mais conhecida por outro nome. Pois a Fernanda que interpretou o tema "Vai Mas Vem" é aquela que agora conhecemos como Ágata. Na altura, ela já não era uma desconhecida uma vez que tinha integrado as Cocktail no fim da década de 70. Mais tarde, substituiu Lena Coelho nas Doce durante a gravidez desta antes de, ainda nos anos 80, dar os primeiros passos na carreira sob o nome de Ágata, alcançando o sucesso que se conhece na década seguinte. A audição da canção que cantou no Festival de 1982, que ficou em 10.º lugar, poderá surpreender aqueles que só conhecem o repertório de Ágata pós-"Perfume de Mulher".

Marco Paulo

Marco Paulo regressou ao Festival nesse ano, quinze anos após a sua primeira participação, com o tema "É O Fim Do Mundo". Infelizmente não foi dos melhores momentos do consagrado repertório de Marco Paulo e foi para o fim da tabela, para o 11.º e penúltimo lugar.

Bric A Brac

Os Bric A Brac eram presença regular no Festival da Canção desde 1977. 1982 foi o ano da quarta e derradeira participação do grupo formado por Manuel José Soares, Isabel Soares, Cristina Águas e Jorge Barroso com o tema "Tudo Tim Tim Por Tim Tim", com uma animada sonoridade disco-sound que ganhou o prémio de melhor orquestração, que esteve a cargo de Armindo Neves. E destaque, embora não pelos melhores motivos, estiveram as vestimentas dos membros femininos do quarteto, que pareciam estar vestidas com papel de embrulho em cima e em papel de alumínio em baixo.

SARL

Os SARL, grupo formado por Carlos Aberto Moniz, Samuel e Pedro Osório, tinha trazido um toque de irreverência ao Festival da Canção em 1979 e 1980 com os temas "Uma Canção Comercial" e "Self Made Man", mas a última participação do grupo foi com uma canção mais convencional "Quero Ser Feliz Agora", que ainda assim obteve um honroso quarto lugar.

Dina

Depois de ter sido uma das revelações do Festival de 1980, Dina estava de volta ao certame e desta vez em dose dupla pois interpretou duas canções: a balada "Em Segredo", escrita por Tozé Brito, que ficou em oitavo lugar e o mais animado "Gosto Do Teu Gosto", letra de António Pinho e música da própria Dina, que chegou a liderar no início das votações mas que acabaria por cair para o sexto lugar. Ambas as canções foram incluídas no seu álbum de estreia "Dinamite". Claro que dez anos mais tarde, Dina regressaria ao Festival de forma triunfante.

Broa De Mel

Um tom mais divertido marcou a participação dos Broa De Mel com o tema "Banha De Cobra (Estica E Não Dobra)". Também com um título destes, só podia. A canção interpretada pelo casal José Carlos e Maria José Gorgal, que ainda hoje continua junto na música e no amor, obedecia à estrutura de canções como "Sobe Sobe Balão Sobe", onde quando se chega ao refrão já não mais se sai dele até ao fim. O resultado acabou por não ser tão banha de cobra quanto isso, com um respeitável quinto lugar. Os Broa De Mel participariam novamente no Festival do ano seguinte com uma canção bastante diferente.

Alexandra

Quanto às três canções que disputaram a liderança e que terminaram no pódio. O terceiro lugar foi para "Até Amanhecer" interpretado por Alexandra. A cantora de "Zé Brasileiro Português De Braga" defendeu magistralmente a balada com o talento que lhe é reconhecido, mas infelizmente o look com que ela se apresentou em palco era tipicamente anos 80 no seu pior: do penteado juba de leão ao vestido de boneca espanhola passando pela maquilhagem carregada.

Cândida Branca-Flor

Cândida Branca Flor falhou a vitória por muito pouco, somente seis pontos, a vitória mas deixou uma canção que ficou para a história. Mais um exemplo do génio criativo de Carlos Paião, as "Trocas E Baldrocas" permanecem ainda na boca de muita gente e um marco na carreira da artista, infelizmente falecida em 2001. "São trocas e baldrocas, altas engenhocas, que eles sabem inventar. São palavras loucas, faz orelhas moucas, não de te deixes enganar". Os elementos masculinos do coro estiveram em destaque, quer na parte quase em rap que eles rosnavam "são só trocas e baldrocas que sabemos inventar, são só trocas e baldrocas, não te deixes enganar" quer quando levavam estaladas dos elementos femininos.

Doce

Mas a vitória acabou por sorrir às Doce, com outra canção que ficou prontamente gravado no disco rígido de todos aqueles deste rectângulo à beira-mar plantado. A nossa mítica girlband dos anos 80 concorria pelo terceiro ano consecutivo e depois dos fatos de super-heroínas em 1980 com que interpretaram o tema homónimo e os de odaliscas em 1981 para o igualmente clássico "Ali Babá", foram vestidas de mosqueteiras que Fá, Laura, Lena e Teresa ganharam o Festival cantando o "Bem Bom" que era um amor que dura pela uma da manhã, duas da manhã e por toda a madrugada fora.


Carlos Paião, que vencera no ano anterior com o não menos mítico "Playback", entregou às Doce o troféu da vitória. Semanas mais tarde, seriam elas a abrir o desfile de canções no Festival da Eurovisão em Harrogate. 

Por fim, queria agradecer ao site Festivais da Canção por toda a informação e algumas das imagens aqui utilizadas. Para quem se interessa pela história do Festival da Canção, é um site absolutamente imperdível. 

Actuação "Bem Bom" Doce:


Actuação após a vitória:


Actuação no Festival da Eurovisão 1982:


Videoclip:



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A Guerra dos Mundos (1988-90)



Uma sequela do filme “War Of The Worlds” ("A Guerra dos Mundos") de 1953 - adaptação da famosa história de ficção cientifica publicada no final no Séc. XIX por H.G. Wells - esta série (co-produção canadiana e norte-americana) revelava que os extraterrestres derrotados no final da invasão do filme não foram mortos pelos germes terrestres, mas apenas entraram em animação suspensa. São libertados desse torpor no final dos anos 80 e controlando corpos humanos vão tentar conquistar o planeta, preparando-o para a chegada de milhões de invasores do planeta Mor-Tax. 
Da esquerda para a direita:
Fila de cima: Tenente-Coronel Paul Ironhorse (Richard Chaves) e Norton Drake (Philip Akin).
Fila de baixo: Dr. Harrison Blackwood (Jared Martin) e Dr. Suzanne McCullough (Lynda Mason Green).

O foco dos 43 episódios (em 2 temporadas bem regadas de cenas de violência gráfica) eram as missões de combate aos alienígenas efectuadas pela equipa do Projecto Blackwood, liderado pelo astrofísico Dr. Harrison Blackwood (órfão de vitimas do ataque nos anos 50), a microbiologista Suzanne McCullough, o especialista em informática Norton Drake e o Tenente-Coronel Paul Ironhorse.

O genérico inicial, que utiliza cenas do filme de 1953 (viva a reciclagem!):

O leitor José Guilherme adianta a data de exibição em Portugal como sendo 1990, mas ainda não consegui confirmar.





Num assunto relacionado recomendo o artigo sobre a adaptação portuguesa (para rádio):  "A Guerra dos Mundos em Portugal (1958)".

Artigo original no Tumblr da Enciclopédia, no Mini-Cromo "War Of The Worlds" (1988-90).

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sábado, 11 de fevereiro de 2017

"Especially For You" Jason Donovan & Kylie Minogue (1988)

por Paulo Neto

Quis o destino que, fazendo jus ao velho ditado, eu fosse bafejado com (esporádica) sorte ao jogo e (constante) azar ao amor. Como tal existem algumas coisas que, pelo menos até agora, nunca tive oportunidade de fazer com uma pessoa amada, como por exemplo cantar em dueto com a minha eventual cara-metade. Com muita ou pouca afinação, num karaoke ou noutro sítio, de forma planeada ou num momento espontâneo, já imaginei muitas vezes em criar harmonia vocal com a pessoa amada, fosse lá ela quem fosse. E como concordo com os Da Weasel quando diziam que um amor de verdade deve ter o seu quê de piroso e lamechas, uma das canções que eu gostava de executar nesses hipotéticos duetos românticos é "Especially For You", tema editado no final do de 1988 epicamente chilreado por aqueles que era então os namoradinhos da Austrália e popstars em fase ascendente, Jason Donovan e Kylie Minogue. É uma balada que não se aguenta de tão doce e fofa. Se "Especially For You" fosse comestível, seria uma molotofe profusamente banhada em caramelo líquido.



Mas vamos por partes. Como a maioria dos países anglo-saxónicos, a Austrália segue o conceito de soap-opera, inicialmente desenvolvido pelas rádios americanas e assim chamado porque esses espaços eram tipicamente patrocinados por marcas de sabões e detergentes, (ao contrário do conceito de telenovela como foi desenvolvido sobretudo na América Latina e como conhecemos cá em Portugal), com a acção a passar-se quase sempre na mesma zona e com uma duração indeterminada. Se nós por cá achámos que telenovelas portuguesas como "Anjo Selvagem" ou "A Única Mulher" duraram imenso tempo, as soap-operas em países como os Estados Unidos, o Reino Unido ou a Austrália atravessam décadas. Por exemplo, a britânica "Coronation Street" está no ar no canal ITV desde 1960!
Na Austrália, uma das soap-operas mais duradouras é "Neighbours", que estreou em 1985 (embora só em 1986, quando o projecto foi reciclado por outro canal, é que começou a ter sucesso) e desde então que as intrigas entre famílias vizinhas num aprazível subúrbio de Melbourne faz as delícias de vários telespectadores nos Antípodas e não só. (Em Portugal, a RTP chegou a exibir "Neighbours", com o óbvio título "Vizinhos", nos anos 90 a seguir ao Jornal da Tarde.) Um dos atractivos da fase inicial dessa soap-opera foi o par romântico Scott Robinson e Charlene Mitchell, interpretados por Donovan e Minogue, ele um rapaz certinho, ela uma desembaraçada mecânica, que se apaixonam apesar de pertencerem a famílias rivais. O episódio onde os dois se casaram foi um dos programas mais vistos de sempre na Austrália.



Entretanto, uma actuação do elenco de "Neighbours" para um evento de caridade onde Kylie Minogue cantou uma versão de "Locomotion" em 1987 foi o primeiro passo para ela deixasse a telenovela e rumasse a Londres para iniciar um carreira musical. Pela mão do célebre trio de produtores Stock, Aitken & Waterman, Minogue não tardou a alcançar sucesso internacional em 1988 com hits como "I Should Be So Lucky", "Got To Be Certain" e "Je Ne Sais Pas Pourquoi". Quando souberam que Jason Donovan também pretendia deixar "Neighbours" e enveredar pelas cantigas, a troika de produtores sabia que não podiam desperdiçar a oportunidade de ter os dois namoradinhos da Austrália a dar voz às suas composições. E que melhor ideia para um do que ter Jason Donovan a cantar uma balada em dueto com aquela com quem ele teve um romance dentro e também (não muito) secretamente fora do ecrã? E se bem o pensaram, melhor o fizeram.



Particularmente mítica foi a actuação de ambos no programa "Top Of The Pops", ele de blusão de cabedal, ela com uns brincos com cachos de uva, numa coreografia sincronizada que culminava na parte instrumental, com Jason a pegar Kylie ao colo num rodopio.



Claro que o sucesso estava garantido, e o dueto foi n.º 1 no Reino Unido (onde vendeu um milhão de cópias), Irlanda, Bélgica e Grécia no início de 1989. Kylie Minogue, que entretanto trocara Jason por Michael Hutchence dos INXS, continuou a somar sucessos até tornar-se o ícone pop que é hoje, sobretudo depois do ressurgimento da carreira no início deste século graças a hits como "Can't Get You Out Of My Head". Jason Donovan somou alguns sucessos no início da sua carreira como "Too Many Broken Hearts", "Sealed With A Kiss" e "Any Dream Will Do". Mas à medida que o sucesso foi diminuindo, envolveu-se em algumas batalhas pessoais e problemas com drogas. Felizmente a partir de 2000, graças ao apoio da sua companheira Angela Malloch de quem tem três filhos e com quem casou em 2008, Donovan deixou a dependência e mesmo sem o êxito dos outros tempos, continua bastante activo, quer na música, quer na representação e algumas incursões em reality shows, quer na Austrália, quer no Reino Unido onde reside há vários anos.



Quer Jason quer Kylie já cantaram "Especially For You" com outros parceiros (e até voltaram a cantá-lo juntos num concerto em 2012), e dentro dessas novas parcerias, há que destacar o momento em 2001 quando Kylie cantou o tema com...o sapo Cocas!



Enquanto isso "Neighbours" continua em exibição em vários países e ao longo dos anos, outros actores do elenco tiveram também mais tarde carreiras musicais de grande sucesso, nomeadamente Natalie Imbruglia e Delta Goodrem. 


Extras:

"Got To Be Certain" Kylie Minogue


"Too Many Broken Hearts" Jason Donovan







terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Roswell (1999-2002)

por Paulo Neto

Nas voltas da vida, eu sou por vezes algo contra-corrente. Agora que está na moda acompanhar séries de televisão, eu não sigo nenhuma em particular, vejo um ou outro episódio desta ou daquela série quando calha. Não tenho Netflix nem quejandos nem nunca fiz binge-watching de séries (a não ser que conte para tal ficar a ver quando no AXN, MOV ou Fox Life passam uns três ou quatro episódios antigos de enfiada). Aliás, eu seguia mais séries nos anos 90 e na década passada que agora, e mesmo aí, era habitual que começasse a vê-las já num ponto adiantado. Foi o caso da série da qual vou falar hoje.



"Roswell" (também conhecida como "Roswell High") foi uma série juvenil de ficção científica exibida nos Estados Unidos entre 1999 e 2002 em três temporadas e que passou na RTP 2 entre 2001 e 2004. Da autoria de Jason Katims e inspirada na série de livros de Melinda Metz, a série passava-se na cidade americana de Roswell, no estado do Novo México, onde em 1947 um balão de vigilância da força aérea americana se despenhou, provocando especulações sobre se teria sido uma nave extraterrestre.


Liz Parker (Shiri Appleby) é uma adolescente que trabalha no café dos seus pais de temática extraterrestre que um dia é atingida por uma bala perdida durante uma discussão entre dois clientes. No entanto é salva miraculosamente da morte certa por Max Evans (Jason Behr), um rapaz da sua escola. Intrigada pelo que aconteceu, Liz vai descobrindo juntamente com os seus amigos Alex Whitman (Colin Hanks) e Maria De Luca (Majandra Delfino) que Max, assim como a sua irmã Isabel (Katherine Heigl) e o rebelde Michael Guerin (Brendan Fehr) não têm DNA normal e que poderão ser alienígenas. Os seis acabam por formar um grupo de amigos bastante unido, tentando ao máximo manter-se fora da atenção das forças da autoridade e o romance desperta entre eles: entre Liz e Max, entre Maria e Michael e Alex também se apaixona por Isabel, que hesita em lhe corresponder.
Entretanto surgem mais dois alienígenas: Nasedo (Jim Ortlieb), um perigoso shapeshifter e Tess Harding (Emilie de Ravin), uma adolescente criada por Nasedo que possui estranhos em efeitos em Max. Após a morte de Nasedo, Tess é acolhida pelo xerife Jim Valenti (William Sadler) e pelo seu filho Kyle (Nick Wechsler), o ex-namorado de Liz, que entretanto também já sabem da natureza dos quatro extraterrestres.



Afinal vem-se a saber que Max, Tess, Isabel e Michael são os clones de quatro extraterrestres do planeta Antar, respectivamente Zan, o rei do planeta, Ava, a sua esposa, Vilandra, a irmã do rei e Rath, o líder do exército. Os quatro fugiram de Antar para escapar aos ataques de Kivar, o inimigo do rei. A nave onde seguiam despenhou-se na Terra em Roswell em 1947 e viveram incubados até despertarem na forma de clones híbridos de humanos e alienígenas, surgindo em Roswell na forma de crianças de seis anos. Max e Isabel foram adoptados pelo casal Evans (Garrett Brown e Mary Ellen Trainor) e Michael por um homem violento, entretanto falecido, enquanto Tess foi levada por Nasedo. Isabel também descobre que a sua versão extraterrestre Vilandra tinha sido seduzida por Kivar e traído o irmão. Os quatro possuem poderes especiais como telequinesia, controlo da mente, criação de combustão e de campos de forças ou, no caso de Max, reanimação de mortos.



Na segunda temporada, os amigos lutam contra várias ameaças, como os Peles, um conjunto de alienígenas com forma humana designados para os encontrar e entregar a Kivar e outros quatro clones de Max, Michael, Isabel e Tess que cresceram nos esgotos de Nova Iorque. Mas a principal ameaça acaba por estar mesmo entre eles. Avisada por um Max do futuro para as consequências fatais do relacionamento de ambos, Liz desiste de Max e incita-o a ficar com Tess. Max e Tess acabam por se envolver e Tess engravida, dando à luz apenas um mês depois o filho de ambos, Zan.


Mas a misteriosa morte de Alex, quando Isabel finalmente lhe correspondia e que nem Max consegue salvar, vai levar à conclusão de que Tess foi sempre uma inimiga. Ela tinha controlado Alex para que ele descobrisse uma maneira de levar Max, Michael e Isabel consigo de volta a Antar para os entregar a Kivar. Tess acaba por partir com Zan, que mais tarde vem-se a descobrir ser 100% humano.



Na terceira e última temporada, Isabel apaixona-se e casa-se com Jesse Ramirez (Adam Rodriguez), um jovem advogado, sem lhe revelar que é uma alienígena. Max e Liz continuam a enfrentar imensos obstáculos ao amor entre ambos, Maria e Michael continuam entre beijos e turras e Tess regressa para uma redenção. Liz descobre que por ter sido curada por Max desenvolveu um poder de premonição. Quando ela tem a premonição de que Max, Michael e Isabel vão ser mortos pelo FBI, a série termina com grupo a fugir da cerimónia da formatura do liceu onde o FBI tinha montado a emboscada.



Eu só comecei a acompanhar "Roswell" a meio da segunda temporada, precisamente quando aparece o Max do futuro e quando os episódios começavam com Maria a fazer um resumo do episódio anterior num cenário com um quadro escolar. Talvez por ter apanhado a série a partir desses episódios onde a personagem estabelecia esta ligação com o telespectador, Maria era a personagem que me chamava mais a atenção (o facto de Majandra Delfino ser bastante bonita de se ver também ajudava). Embora eu gostasse das várias tramas de temática alienígena e as batalhas que os protagonistas travavam contra os seus opositores, achava particularmente interessantes as cenas em que se exploravam as relações de amor e amizade entre os extraterrestres e os humanos do grupo. Também apreciava alguns toques de humor, como por exemplo Isabel ser tão obcecada em organizar as celebrações natalícias que era conhecida em toda a cidade como "a nazi do Natal", ou o episódio da terceira temporada com cenas que recriavam a série "Casei Com Uma Feiticeira", mas no caso de Jesse e Isabel, "casei com uma extraterrestre".

Reunião do elenco e do autor em 2014


Depois de "Roswell", Katherine Heigl obteve ainda mais sucesso ao fazer de outras Isabel, a Izzie Stevens de "Anatomia de Grey". Shiri Appleby protagonizou as séries "Life Unexpected" e "UnReal" e Emilie De Ravin esteve em destaque em "Lost" e no filme "Lembra-te De Mim" ao lado de Robert Pattison. Nick Wechsler, Adam Rodriguez e Brendan Fehr entraram em respectivamente "Revenge", "CSI Miami" e "Bones". Apenas Jason Behr e Majandra Delfino, apesar de ainda bastante activos em televisão e cinema ainda não superaram o sucesso dos seus papéis em "Roswell". E claro, foi com esta série e o filme "Orange County" que Colin Hanks começou a seguir as pisadas do seu pai Tom, tendo entrado por exemplo nos filmes "King Kong" (2005) e "W." e nas séries "Dexter" e "Fargo".      

O tema do genérico de "Roswell" era "Here With Me" de Dido, que foi editado como single em 2001, tendo sido um dos grandes hits desse ano.

Genéricos das três temporadas:


Episódio "Casei Com Uma Extraterrestre" (Temporada 3, Episódio 11)


"Here With Me" Dido




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Publicidade RTP (Julho e Novembro 1988)

por Paulo Neto




Geralmente quando analisamos aqui blocos publicitários de outros tempos, gostamos de coincidir com a altura em que foram exibidos. No entanto, desta vez não resisti em esmiuçar já quatro blocos de publicidade de 1988, recentemente disponibilizados no YouTube pelo incansável canal LusitaniaTV, porque continham vários anúncios que eu recordo da minha infância e que nunca mais revi desde então, e estou certo que muitos de vós vão sentir o mesmo que eu quando revirem.

Os dois primeiros blocos são do dia 11 de Julho de 1988 (segunda-feira), exibidos durante os intervalos do último programa do concurso "Com Pés & Cabeça" que revia os melhores momentos de todas as sessões:


0:00 Vinheta RTC
0:03 Um divertido anúncio ao Miluvit Chocolate, onde uma rapariga e dois rapazes, um mais novo e outro mais crescido, saboreiam uma boa dose do dito cujo à beira de uma piscina. O anúncio termina com o rapaz mais velho e a rapariga a atirarem o rapaz mais novo para a piscina quando este ainda tem o prato e colher na mão. Quando via este anúncio em petiz, ficava com a inexplicável preocupação de que piscina ficasse suja com os restos de Miluvit que ainda haveria no prato do miúdo quando ele caía na água.
0:43 Um anúncio clássico. Numa praia, uma voz off vai comentando consoante a elegância (ou falta dela) dos demais banhistas: "Ela deve tomar Fibrovital, ele não deve tomar Fibrovital, este não toma mas aquela sim" Fibrovital, explica a voz, eram comprimidos dietéticos à base de fibra, cereais e citrinos. Recordo-me na minha escola de ouvir algum bullying verbal aos rapazes e raparigas mais gorduchos da escola em que se exclamava quando um deles passava: "Ó Fibrovital!"
1:14 Um Seat Ibiza que circula por entre uma paisagem urbana.
1:35 Catorze anos antes do escândalo de pedofilia que abalou a instituição, e embora esses crimes já alegadamente ocorressem na altura, a Casa Pia ainda mantinha uma reputação como instituição pedagógica e reabilitadora, justificando a frase dita no anúncio da Lotaria dos 208 anos da Casa Pia: "Na Casa Pia, um ganso voa sempre mais alto para se fazer um homem."
1:43 Whitney Houston já nos deixou há quase cinco anos. Em 1988, já era uma das maiores estrelas da música e co-protagonizava este anúncio da Coca-Cola, onde durante um concerto um miúdo é ordenado por outros para ir buscar Coca-Cola. Mas por entre enganos e confusões no caminho de volta, o rapazinho vai parar ao backstage onde Whitney serve-se de um dos copos que ele tem na bandeja e convida-o a subir com ela  para o palco, a cantar "The Greatest Love Of All".
2:12 Divertido anúncio à Maionese Hellman's com uma cara feita com um hamburger e seus acompanhamentos.
2:23 O álbum homónimo de 1988 de Marco Paulo que continha o grande êxito "Joana".
2:29 Anúncio ao livro "Espelho Secreto", uma obra autobiográfica da actriz Shirley MacLaine (no original "Out On A Limb"), uma das primeiras celebridades que aderiram à corrente de espiritualidade new age e como tal o livro abordava temas como reencarnação, meditação e até extra-terrestres, bem como um alegado caso que a actriz teve com um político britânico. O livro foi publicado em 1983 e gerou em 1987 uma série de televisão com a própria Shirley MacLaine a fazer de si mesma, que este anúncio refere.
2:43 Vinheta RTP1
2:49 O Casino Estoril Sol comemorava em 30 anos em 1988 e celebrava a efeméride com concertos com grandes nomes como Ray Charles, Julio Iglesias e The Platters. Como não podia deixar de ser, a voz do anúncio é o actor Júlio César, há já largos anos ligado ao local.

 

0:00 Vinheta RTC
0:11 Outro anúncio que recordo bem e que já há muito tempo não via: numa praia, ao repararem que acaba de abrir uma barraquinha que vende Pepsi fresquinha, vários veraneantes vão saltitando pela areia escaldante para chegarem àquele sítio. Óbvio destaque para um cão que faz o percurso em duas patas.
0:42 Um novo anúncio aos vários salões da mogul capilar Isabel Queiroz do Vale em Lisboa, Porto, Aveiro, Cascais e Montechoro.
0:52 Um apetitoso anúncios aos Iogurtes batidos Vigor com polpa de fruta.
1:11 Um glutão do Presto Máquina com voz de António Feio anuncia que em cada embalagem do dito detergente havia a oferta de um relógio de pulso. Beat that, Juá!
1:27 Nos anos 80, os insecticidas tinham nomes espectaculares como Mafu e Banzé. Mais concretamente neste anúncio, Banzé Casa e Plantas
1:42 Foi em 1988 que a Gelati Motta chegou em Portugal para fazer concorrência à eterna líder Olá e a outras marcas da altura como a Globo e a Avidesa. Neste anúncio passado num jogo de futebol americano, destacavam-se os três principais gelados da gama: Maxicup, Maxistecco e Maxicone. Este último persiste até hoje nos gelados da Nestlé (ex-Camy). 
2:02 Ferbar...na arte de cozinhar.
2:11 Adoro visões do anos 80 do que seria o futuro. Neste anúncio ao óleo de Soja Campo D'Ouro, vemos uma mulher do futuro (quiçá do distante ano de 2017!) com um look futurista, a entrar numa cozinha futurista para fazer uma salada futurista.
2:31 Uma família que faz jogging com fatos de treinos a condizer com sumos de tomate, cenoura e mação ilustra este anúncio às centrifugadoras Moulinex
2:53 Já falámos aqui deste lendário anúncio à Tartaruga da Robbialac. Cantemos todos mais uma vez: "Amigo, Tartaurga é a tinta!"
3:22 A famosa vinheta da RTP1 de inspiração geométrica.

Estes blocos são do dia 25 de Novembro de 1988, emitidos durante o intervalo da emissão da peça "Uma Bomba Chamada Etelvina", e como não podia deixar de ser, contêm já algumas referências natalícias e anúncios a produtos que poderiam ser ofertados no Natal de 1988.




0:00 Vinheta RTC
0:06 Foi por esta altura, pré-Windows e em dias de glória do MS-DOS, que os computadores pessoais começaram a paulatinamente a fazer parte das casas portuguesas. Este anúncio promovia o PC1 da Olivetti por apenas 99600 escudos (498 euros) mais IVA, com oferta do monitor. 
0:26 Vinheta RTC
0:32 Um anúncio ao Denim onde uma figura feminina assalta uma montra para roubar os produtos Denim e o respectivo estojo enquanto entoa a melodia do Jingle Bells. Uma interessante alternativa a outros anúncios da marca que terminavam com uma mão feminina a intrometer-se por entre um torso masculino. 
1:00 Um fofíssimo anúncio do leite Mimosa dedicado às melhores mães do mundo (todas!) com crianças a vivenciarem profissões de adultos.
1:46 Em duplo disco "As Mais Belas Canções Napolitanas" na voz inconfundível de Luciano Pavarotti, onde era possível ouvir o mítico tenor a interpretar clássicos temas da música italiana como "Volare" e "O Sole Mio".
2:08 Outro anúncio clássico, o do teste Planta. Mas não, não é o anúncio da senhora que se auto-intitulava uma "lambona", Neste caso específico, na zona de Boavista no Porto, uma jovem mãe com a respectiva filha ao colo, acerta no pedaço de pão barrado com Planta. (Pessoalmente, eu sempre fui Team Flora). Embora não se veja a sua cara, a voz que questiona a jovem mulher é a de Rui Mendes.
2:37 Um clássico das prendas de Natal, o mini-aspirador Black & Decker. Que não tem fio!
2:47 Em 1988, o Ministério das Finanças comemorava 200 anos de existência e como tal, emitiu uma série de empréstimos bancários com condições excepcionais. Além de um anúncio vistoso com metal incandescente a ser forjado.
3:19 Uma mulher numa sala em que uma das paredes mais parece a Estufa Fria, um homem de enxada ao ombro e um produtor vinícola usam o fertilizante Humais
3:39 Para ter um Ford, nada como aderir ao Crédito Ford. Ou não fosse por esta altura que Portugal começava a deixar-se definitivamente conquistar pelo admirável mundo dos pagamentos a crédito.
3:48 Outro anúncio clássico: enquanto espera pelo autocarro, uma senhora solta um espirro, mas felizmente um homem ao seu lado estende-lhe uma embalagem de Melhoral. Por fim, diz também ela o célebre slogan: "Eu dou-me bem com Melhoral!"
3:57 O Diário: o jornal que não brinca aos jornais. 
4:07 Para o Portugal de 1988, uma linha de produtos de higiene masculina ainda era algo inédito, mas a Insignia tentou cativar os portugueses a irem para além da água e do sabão e experimentar outros produtos. A marca oferecia toda uma gama de produtos (champôs, after shaves, desodorizantes...) e era ilustrada por este divertido anúncio ao som de uma música country em que um homem cuja higiene deixa muito a desejar dá a volta por cima ao usar os produtos Insignia, ao ponto de virar cabeças no escritório e pôr todas as colegas a fazer o famoso gesto sedutor de soltar o cabelo. 
4:47 Um clássico dos anos 80: a colectânea Jackpot reunindo alguns dos principais êxitos de 1988. No anúncio vemos e ouvimos "Im Nin' Alu" de Ofra Haza, "Alphabet Street" de Prince, "You Came" de Kim Wilde, "A Groovy Kind Of Love" de Phil Collins e duas canções das quais já falámos aqui em pormenor: "Gimme Hope Jo'anna" de Eddy Grant e "Love Changes Everything" dos Climie Fisher. (Ver o alinhamento completo da compilação AQUI)
5:17 Num texto anterior, eu tinha dito que a célebre revista Eva de Natal, que oferecia todos os anos vários prémios por essa altura, teria desaparecido no final dos anos 80, mas pelo vistos em 1988 ainda foi editada. 
5:28 Um curto mas inteligente anúncio às malhas Sydney com um cabide vazio. 
5:35 Promoção a um concerto de Shirley Bassey a ser transmitido na RTP, com imagens da diva galesa a interpretar "This Is My Life", a sua canção-assinatura.




0:00 Vinheta RTC
0:02 Lídia Franco dá a voz a este anúncio ao Chocolate Belleville da Favorita, no meio de uma apetitosa paisagem de chocolate.
0:14 Outro anúncio clássico: o da máquina de lavar roupa Margherita da Ariston protagonizado pela Ritinha, uma menina reguila com dois totós que faz todo o tipo de diabruras, como aplicar pó-de-arroz, enfiar uma moeda na gaveta do detergente ou enfiar uma enorme girafa de peluche na máquina enquanto a mãe dela exclama em off: "Ritinha, deixa a Margherita" ou "Ritinha, é económica mas não é mealheiro". Mas esta será uma versão editada do anúncio, pois falta a cena em que a Ritinha balança-se em cima da porta da máquina enquanto a mãe diz: "Ritinha, sai de cima da Margherita", que creio que terá inspirado um dos famosos bordões de Herman José na "Roda da Sorte": "Sinupe, sai de cima do Teijo!"
0:34 Foi por esta altura que a Swatch chegou a Portugal com os seus relógios ultracoloridos e pouco convencionais. A ilustrar o anúncio, imagens de uma saltadora de parapente. Os padrinhos do meu irmão estiveram uns anos emigrados na Suíça e certa vez, ofereceram ao meu irmão um relógio de parede da Swatch com uma enorme bracelete de plástico para o nosso quarto. 
1:06 Livro que reunia as obras de mais 70 anos de pintura de Henrique Medina (1901-1988), um dos maiores pintores retratistas portugueses. Medina faleceria apenas cinco dias após a exibição deste anúncio a 30 de Novembro de 1988.  
1:21 Dois homens bebem uma cerveja, mas um deles leva a mão à garganta. O outro pergunta o óbvio: "Dói-te a garganta?". Felizmente para essas dores, havia (ainda haverá?) Septoral. Outro anúncio com voz off de Júlio César.
1:30 Um Artur Albarran pré-fama anuncia uma nova equipa de redacção para uma nova reencarnação do jornal "O Século"
1:45 Ainda no âmbito do bicentenário do Ministério das Finanças, um anúncio ao Tesouro Familiar com muitas chaves. 
2:16 Versão muito abreviada do anúncio de Insignia.
2:24 A série de colectâneas de êxitos Hit Parade da editora Polygram veio substituir em 1987 a série Polystar e durou até meados dos anos 90 (eu tive o volume de 1995 em cassete). No anúncio desta edição de 1988, pode-se ouvir "Hand In Hand" dos Koreana, "A Long And Lasting Love" de Glenn Medeiros, "Angel Eyes" dos Wet Wet Wet, "Barcelona" de Freddie Mercury e Monsterrat Caballé, "I Don't Wanna Go On With You Like That" de Elton John e "Yeke Yeke" de Mory Konté. (Ver AQUI o alinhamento total da compilação)  
2:46 Hoje difícil é achar pastilhas com açúcar, mas em 1988, pastilhas sem açúcar ainda era coisas rara ou nunca vista. As pastilhas Trex foram das primeiras a trazer essa novidade que é a ausência de açúcar.
3:01 E mais um mítico anúncio da Ariston. Numa altura onde os frigoríficos de duas portas ainda não tinham proliferado, os frigoríficos Supermarket da Ariston tinham três portas. Quais supermercados, tinham a porta do congelador, a porta para os alimentos frescos e uma terceira porta para os vegetais. Tudo isto protagonizado por um miúdo traquinas de cabelo à tigela, que mais parece irmão da Ritinha da Margherita.
3:32 Anúncio ao primeiro livro da série "Lisboa Desaparecida" de Marina Tavares Dias, a mais famosa olisipógrafa, que reunia várias crónicas da sua autoria sobre a história da capital. Até agora, a série já teve nove livros, o último publicado em 2007.
3:47 Um bastante colorido e animado anúncio ao Seat Marbella. Para quem não sabe SEAT quer dizer "Sociedad Española de Automóviles de Turismo", fundada em 1950 para incentivar a venda de carros nos país vizinho após a guerra civil e actualmente pertence ao Grupo Volkswagen. A partir de 1986, começaram a surgir os modelos com nomes de cidades espanholas, sobretudo do sul do país e das Ilhas Baleares: além dos já referidos Ibiza e Marbella, lembro-me dos SEAT Almeria, Alhambra, Córdoba e Toledo, por exemplo. 
4:19 O serrote eléctrico Bosch, que serra tudo onde põe os dentes!
4:28 Uma colecção em fascículos das Histórias Ilustradas da Bíblia, onde não faltam as histórias de como Moisés dividiu o Mar Vermelho, como o Sansão foi tramado pela Dalila ou como David derrotou Golias, que tinha como oferta um disco com músicas de Natal. 
4:43 Agora é que as saudades bateram forte cá dentro! À magnífica trilogia dos Cereais da Nestlé (Chocapic, Crépitas, Estrelitas) que surgiu no mercado no ano anterior, juntavam-se em 1988 os Sportis, uns cereais de arroz, aveia e cacau em forma de argola cuja mascote era uma bola de futebol. Por isso mesmo, o anúncio a estes cereais era um jogo de futebol onde uma equipa reverte o marcador de 4-0 na 1.ª parte para 5-4 ao apito final, depois de um pratada de Sportis degustada ao intervalo. Lembro-me de comer estes cereais e gostar muito, mas infelizmente ao contrário do Chocapic e das Estrelitas que ainda hoje perduram e à semelhança das suas parentas Crépitas, os Sportis já há muito que deixaram de ser produzidos. Se houver alguma petição para o regresso dos Sportis, eu assino logo!  
5:14 Uma versão instrumental do standard de jazz "The Look Of Love" ilustrava este anúncio onde se alertava para o pagamento das taxas da RTP nas estações dos Correios. Esta taxa viria a ser abolida em 1991, mas neste século reencarnou na taxa de audiovisual incluída nas facturas da electricidade.

Extras:

Outro anúncio da Margherita, sem a Ritinha mas com um rinoceronte animado




Anúncio Insignia:




Anúncio Chocolate Belleville




Trailer da série "Out On A Limb" adaptada do livro "Espelho Secreto" de Shirley MacLaine




terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Programação RTP 31 de Janeiro de 1979



No dia que eu vim ao Mundo, 31 de Janeiro de 1979, não se comemora nada (1) tão épico como a Revolução dos Cravos como no caso do meu colega Paulo Neto, que há uns anos dedicou um cromo à programação televisiva do dia em que nasceu ["Programação RTP 25 Abril 1980"], mas vale a pena dar uma olhadela aos primeiros programas a que poderia ter assistido, recém-nascido, se houvesse televisores na maternidade do antigo Hospital de Faro.

Vamos então consultar o "Diário de Lisboa" de 31 de Janeiro de 1979, uma quarta-feira.



Como a programação do próprio dia só estava indicada a partir do final da tarde, tive que me socorrer do resumo da programação do jornal do dia anterior.
Portanto, na RTP-1 - o "I Programa" a emissão começou ás 09:15, sensivelmente a hora do meu nascimento. O programa, um palavrão chamado "Ano Propedêutico", que foi a primeira experiência nacional com ensino superior à distância, o antepassado da "Universidade Aberta".

Ás 13:25 continua a escola à distância, com o "Ciclo Preparatório TV". No grupo de Facebook "Ciclo Preparatório TV" é referido que um dos temas de abertura da disciplina de Matemática era o tema "The Robots", dos Kraftwerk. Um programa "Perdidos e Achados" recorda os tempos da Tele Escola. Sempre me fez espécie existir aulas na TV, que para mim eram (seria mais tarde, claro) desenhos animados e os meus adorados "mécamos".

Ás 18:30, o serviço noticioso em versão rapidinha: "Sumário" que se sumariava da seguinte forma: "Títulos da actualidade nacional e internacional".

18:35 era hora de ouvir o hino da Eurovisão a anteceder a transmissão em directo de Zagreb do "Campeonato de Patinagem Artística". (foto acima) Os vencedores da edição de 1979 foram: Individual masculino: Jan Hoffmann (RDA, a Alemanha de Leste); Individual feminino: Anett Pötzsch (RDA); Duplas: Marina Cherkasova / Sergei Shakhrai (União Soviética); Dança no gelo: Natalia Linichuk / Gennadi Karponosov (União Soviética).

Depois das piruetas e acrobacias, ás 20:00 a realidade portuguesa e estrangeira no "Jornal RTP-1" o novo nome do "Telejornal". e claro, o "Boletim Meteorológico". Aqui em casa, e imagino que no resto do país, quando dava O Tempo era momento sagrado de aguardar as previsões para os próximos dias. Hoje em dia, até o Facebook nos avisa quando vai chover na nossa zona.

Chegados ás 20:30, o episódio 78 da telenovela brasileira "O Astro", de que ainda ouvi falar vários anos depois de ser exibida.




Ás 21:20, "Literatura Sem Gravata", "um programa cultural com autoria de Álvaro Manuel Machado, (...) que procurava divulgar sobretudo a literatura portuguesa. Constava de duas partes. Na primeira intitulada dia - a - dia do escritor, falava-se de um autor em particular: da sua obra, dos seus métodos de trabalho, da sua vida... A segunda parte constituía uma miscelânea de temas ligados à literatura, como crítica de livros, vendas, conselhos de leitura, etc.", segundo o site da RTP. Literatura, em horário nobre! Só nos anos cromos!

Finalmente, ás 22:15, a série norte-americana "O Planeta dos Macacos" de 1974 - inspirada no filme homónimo ("O Homem Que Veio Do Futuro" em Portugal) de 1968 e as suas sequelas - com o episódio  Nº 3 da única temporada de 14 episódios: "A Ratoeira" ("The Trap"). O tema do genérico - de Lalo Schifrin ("Missão Impossível") é bastante perturbador:



É possível ver o episódio na integra no Dailymotion "Planet Of The Apes [1974] Ep 03". Na época, os portugueses viram tudo a preto-e-branco obviamente (ainda faltavam alguns meses para a primeira emissão a cores, os "Jogos Sem Fronteiras"; e mais de um ano para o começo das emissões regulares em cor).

Ás 23:10 chegava o último serviço informativo do dia, o "24 Horas".
Dez minutos depois, era o "Fecho" da emissão, hora de desligar o televisor.


Voltando as nossas atenções para a RTP-2, aliás, "II Programa", a emissão iniciava apenas ás 18:45 com - adivinharam - o "Ano Propedêutico" (a programação acima tem a hora errada). Depois das aulas, ás 20:32, continuação do directo de Zagreb via Eurovisão: "Campeonato de Patinagem Artística". O programa seguinte, "Directíssimo" estava divido em duas partes, a primeira ás 21:00 e a segunda às 22:30, separados pelo "Informação-2", o noticiário nocturno do "II Programa". Uma nota chama a atenção do espectador para a possibilidade da transmissão do "Directíssimo" poder ser atrasada 30 minutos por algum eventual prolongamento dos Campeonatos de Patinagem Artística. No 2º canal a hora do "Fecho" ainda era mais cedo: 23:30.

Desconheço o conteúdo do "Directíssimo", mas - excluindo o "Planeta dos Macacos" - parece-me que se viajasse no tempo a esse dia eu iria passar um dia aborrecido em frente à televisão.

(1) Para ser justo, a 31 de Janeiro assinala-se a efeméride da primeira revolta republicana contra a Monarquia, a 31 de Janeiro de 1891.


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".


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