sábado, 27 de agosto de 2016

Rambo: The Force of Freedom (1986)


Junto com as franquias ultra-violentas RoboCop ou Conan (e mais tarde Highlander, Toxic Cruzaders), o violento Rambo parecia um improvável alvo para ser adaptado ao formato adocicado dos tradicionais desenhos animados norte-americanos. Mas - como nas propriedades que mencionei antes - quando cheira a dinheiro, não há nada que não se resolva, neste caso com a diminuição do nível de violência: nada de sangue ou mortos; ou referências à Guerra do Vietname ou stress de guerra. E assim nasceu "Rambo: The Force of Freedom" (1986), quatro anos depois da estreia do herói encarnado por Stallone no cinema.

Além da ausência de carnificina, outra mudança é que John Rambo, o exército-de-1-homem, nesta animação suavizada liderava uma equipa, a “diversa” Força da Liberdade do título, em luta contra os maléficos S.A.V.A.G.E. (basicamente, os G.I. Joe contra os COBRA) ao longo de 1 temporada de 65 episódios. Encontrei registo de ter passado - pelo menos - na RTP 1 entre 19 de Setembro de 1991 e Outubro de 1992, no "Brinca Brincando" das quinta-feiras à tarde.


O genérico da animação:





O narrador, o falecido Don LaFontaine,a  voz omnipresente dos trailer, resumia o conceito da animação:
"Rambo!"
"Anywhere and everywhere the savages forces of general Warhawk
threaten the peace loving people of the world, there's only one man to call:"
"Get me Rambo"
"From the canyons of skyscrappers, to canyons of remote mountain peaks;
Liberty's champion is unstopable."
"Rambo!"
"Helped by the mechanical genius known as Turbo
and a master of disguises named K.A.T., the honor-bound protector of the innocents:
Rambo The Force Of Freedom"

"Rambo!
Em qualquer lugar que as forças selvagens do General Warhawk ameacem os amantes da paz, há apenas um homem a chamar:"
"Tragam-me o Rambo!"
"Dos desfiladeiros de arranha-céus, aos desfiladeiros dos picos de montanhas remotas, o campeão da Liberdade é imparável.
"Rambo!"
"Com a ajuda do génio da mecânica conhecido como Turbo, e um mestre dos disfarces chamada K.A.T., o protector dos inocentes obrigado pela honra: Rambo A Força da Liberdade." 

Brinquedos adaptados dos desenhos animados:

Capa de uma das edições em VHS:



Texto original publicado no Tumblr da Enciclopédia de Cromos "Rambo: The Force of Freedom" (1986)".




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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

"Macarena (Bayside Boys Remix)" Los Del Rio (1995)

por Paulo Neto

Decerto que não será um enorme exagero se se disser que 90% da população mundial conhece esta canção e a reconhecerá aos primeiros segundos e que dentro desses 90%, cerca de 75% já fez a dança (ou tentou fazer) pelo menos uma vez na vida. 

Sim, vamos falar da "Macarena", uma daquelas músicas que só passaram ao lado daqueles que viviam nos locais mais recônditos do planeta e que, para o melhor ou para o pior, ganhou o seu lugar no museu de cultura pop dos anos 90. Lançou a dance craze mais famosa da década, passou 14 semanas no 1.º lugar do top americano e em 2002, o canal VH1 considerou-a a maior one hit wonder de sempre.
Adoro quando uma canção tem toda uma história por detrás e esta tem uma história e meia, com vários capítulos.

Antonio Romero e Rafael Ruiz


Capítulo 1 - Amigos para siempre: Os Los Del Rio são a definição de uma amizade para a vida. Antonio Romero e Rafael Ruiz são dois amigos de infância que cresceram juntos em Dos Hermanas, na área metropolitana de Sevilha onde descobriram o amor comum pela música. Em 1962, ainda adolescentes, actuaram pela primeira vez sob o nome de Los Del Rio e gravaram o primeiro disco em 1967. Desde então tornaram-se uma das mais populares duplas de flamenco-pop em Espanha.

Capítulo 2 - A origem: Em 1992, os Los Del Rio estavam em digressão pela América do Sul quando foram convidados na Venezuela para um festa onde estava toda a elite de Caracas, incluindo o então presidente do país. Nessa festa actuou Diana Cubillán, uma professora de flamengo local. O desempenho  de Diana impressionou tanto os Los Del Rio que logo ali Antonio Romero cantou de improviso aquele que viria a ser a primeira versão do refrão de "Macarena", trocando apenas o nome por Magdalena. (Na gíria andaluza, "Magdalena" é uma expressão que pode ser usada para designar uma mulher sensual, em alusão a Maria Madalena da Bíblia). 
A partir do refrão, a dupla compôs uma canção. Eventualmente Magdalena foi substituída por Macarena, que encaixava melhor na fluidez e na métrica do refrão, e também é o nome da filha de Rafael Ruiz e de uma santa muito cultuada em Sevilha. (Apesar da Macarena da canção não ser nenhuma santa, já que a letra fala numa alegada traição de Macarena ao seu namorado Vitorino, quando este está ausente, com dois dos seus amigos!)

Capa do single de 1993

A primeira versão de "Macarena", interpretada em ritmo de rumba, foi editada em 1993, incluída no álbum "A Mi Me Gusta". 

Capítulo 3 - O remix: "Macarena" tornou-se um grande sucesso na América Latina. Uma versão com uns arranjos mais pop foi particularmente popular, tendo até sido usada para a campanha de um candidato a governador de Porto Rico.
Quando o sucesso chegou às comunidades latino-americanas de na costa leste dos Estados Unidos, o radialista de Miami Johnny Caride apercebeu-se do sucesso do temas na discotecas locais e apresentou-o aos supervisores da estação de rádio, que lhe sugeriram fazer uma remistura com letras em inglês, para alargar o apelo a outros públicos e para ser usada em festas em hotéis e cruzeiros locais.
Foi assim que Caride uniu forças com outros dois produtores Mike "In The Night" Triay e Carlos de Yarza para, sob o nome de Bayside Boys, criarem aquela que viria a ser mais célebre versão de "Macarena". Para as partes em inglês, recorreram a uma cantora conhecida deles de nome Carla Vanessa. Além disso juntaram alguns samples como os de "Higher And Higher" dos The Farm e de umas gargalhadas de Allison Moyet no tema "Situation" dos Yazoo. Ao contrário do que se possa pensar, o "I'm not trying to seduce you" que se ouve no início não terá sido retirado do filme "A Primeira Noite" (o tal da Mrs. Robinson), mas sim de uma voz a imitar as falas de Anne Bancroft nesse filme, utilizada em "Too Funky" de George Michael, para contornar eventuais problemas de copyright. 
O remix dos Bayside Boys foi editado em finais de 1995 e lembro-me de ouviu-lo nas rádios portuguesas ainda nesse ano e de ser incluído na compilação de música de dança "Radioactividade 2".

Capítulo 4 - A coreografia: A bailarina/coreógrafa francesa de origem americana Mia Frye é creditada como a criadora a sequência coreográfica que conquistaria o mundo nos meses seguintes, pois foi ela a coreógrafa do videoclip. Frye afirma que lhe aconselharam a criar uma coreografia com movimentos lentos para que fosse mais fácil de aprender. 
No entanto, um dos movimentos mais famosos da coreografia, em que se esticam e depois flectem os braços poderá ter tido outras origens. O videoclip de 1991 "Rush" dos Big Audio Dynamite, contém imagens filmadas numa discoteca de Ibiza em 1990 onde pode-se ver um rapaz a fazer esse movimento.



Mia Frye explicando a coreografia passo a passo:



Capítulo 5 - O videoclip: Filmado em Paris sob realização de Vincent Calvet, o videoclip era icónico pois parecia um anúncio da United Colours Of Benneton, já que continha dez bailarinas de várias raças, penteados e vestimentas a executar a coreografia e a fazer o playback da voz feminina sobre fundo branco. (Uma delas, com dois totós e um top cor-de-rosa é Tracee Ellis Ross, filha de Diana Ross e actualmente uma popular actriz de televisão). Uma dessas bailarinas era a própria coreógrafa Mia Frye, que é aliás a primeira a aparecer. Os Los Del Rio também aparecem a cantar no videoclip e se repararem bem, na cena em que as bailarinas dançam à volta deles, Rafael Ruiz dá uma apalpadela no rabo de Mia Frye. 

Capítulo 6 - O fenómeno: Como já referi, o Bayside Boys Remix de "Macarena" foi editado em finais de 1995 mas é claro que era uma daquelas músicas que pediam para ser tocadas ao Sol, por isso o seu sucesso só começou a fazer-se sentir com os primeiros dias quentes de 1996. E quando o Verão desse ano chegou, já a "Macarena" era tocada em tudo o que era discoteca e todo o tipo de festas um pouco por todo o mundo. Um dos pontos altos foi quando o vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, que nesse ano concorria a par de Bill Clinton para a sua reeleição, fez a Macarena durante a convenção nacional do Partido Democrata.

Chegados a 1997, o single tinha vendido 11 milhões de cópias e chegado ao n.º 1 do top de mais de 20 países. Graças ao sucesso, tanto os Los Del Rio como os Bayside Boys actuaram por todo o mundo, os primeiros acompanhados por algumas das bailarinas do videoclip, os segundos com a cantora Carla Vanessa, a voz feminina do remix. E como podem ver neste vídeo, tentaram lançar outra dança, o "Caliente".


Os Los Del Rio editaram ainda em 1996 o álbum "Fiesta Macarena" que incluía alguns temas originais e outros dos seus temas antigas regravados com arranjos dançáveis. Também foi editada uma versão de Natal, "Macarena Christmas". Mas desde então que Antonio e Rafael regressaram ao seu repertório habitual no flamenco. Mas decerto que não se arrependem nada desta passagem pelo mundo pop, até porque foram bem recompensados. Segundo a BBC, apesar de só terem direito a 25% dos royalties da versão remix, só no ano de 2003 receberam 250 mil dólares por tal. 

Capítulo 7 - Os sucedâneos: Como não podia deixar de ser, o sucesso de "Macarena" acabou por gerar várias versões, covers e paródias. A mais bem-sucedida foi a dos Los Del Mar (que subtileza!), que juntava a letra original aos arranjos do remix e que obteve algum sucesso em alguns países como Canadá, França e Espanha. Inclusivamente na Austrália, chegou ao n.º 2 do top nacional quando a versão dos Los Del Rio estava em n.º 1.


Entre as versões mais curiosas, destaque para uma versão country dos The Groovegrass Boyz e uma versão de Bollywood utilizada no filme "Auzaar". 

Em Portugal, houve duas versões com particular notoriedade: a das Popeline (grupo que era basicamente a equipa B da Onda Choc) reintitulada "Madalena" e a de José Malhoa, a tal do verso "É rainha pelas noites de Lisboa, nas discotecas da moda".  




Capítulo 8 - O regresso?: Vinte anos depois, "Macarena" continua a animar festas por esse mundo fora. Em 2013 na minha viagem à Grécia, eu fiz a dança pela primeira vez em mais de uma década, primeiro num hotel em Atenas, mais tarde num bar perto das ruínas de Antiga Olímpia.
Provando as palavras de Lavoisier de que nada se perde nem se cria, simplesmente tudo se transforma, este ano está aí uma nova versão por parte do duo cubano Gente De Zona (que também colaboraram no tema "Bailando" de Enrique Iglesias) com a participação especial dos Los Del Rio themselves, intitulada "Más Macarena" e o videoclip contém a famosa coreografia.


     


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Locutoras de Continuidade da RTP

por Paulo Neto

Nos tempos onde a oferta televisiva em Portugal eram apenas os dois canais da RTP, parecia que tudo que dava na televisão ficavam impresso nossas nas memórias. E nem sequer falo dos programas em si ou até mesmo dos anúncios publicitários, mas até coisas como as vinhetas separadoras, os genéricos de abertura de emissão, o hino tocado no fecho da mesma e a própria mira técnica.

E claro está, algo que ficou para memória daqueles cresceram com apenas dois canais de televisão foram os pequenos espaços de locução de continuidade, onde surgia uma locutora sentada diante de uma câmara a informar sobre os programas que seriam transmitidos a seguir, geralmente destacando um filme que iria passar na RTP nesse dia ou a estreia de um outro programa, fazendo uma síntese desse programa a destacar. Também era hábito aparecerem no final da emissão anunciando a programação para o dia seguinte ou para pedir desculpas em nome da RTP após alguma avaria ou falha na transmissão.

Por exemplo, neste vídeo de 1985, Ana Maria Cordeiro anuncia a exibição na RTP2 do filme turco "O Rebanho".


Segundo o site "Brinca, Brincando", em 1978 houve um concurso público para a admissão de trabalhadores para esta função de locução, tendo sido admitidos treze candidatos: Ana Maria Cordeiro, Cândida Gerardo (que também apresentou as primeiras transmissões dos sorteios do Totoloto), Fátima Medina, Fernanda Garcia, Helena Pinto, Helena Ramos, Isabel Ayres, Isabel Bahia, Manuela Matos (mais tarde Moura Guedes), Margarida Andrade (mais tarde Mercês de Melo) e Teresa Cruz (que foi a primeira capa da TV Guia), bem como dois homens, João Abel Fonseca e Miguel Rocha. Porém, no caso destes, creio que só terão feito locução de continuidade em voz off, pois não me lembro de ter visto nenhum homem a fazer a locução em presença como as suas colegas.
Margarida Andrade/Mercês de Melo

Também desempenharam essas funções, duas apresentadoras conhecidas pela sua condução dos programas matinais nos estúdios do Porto: Ivone Ferreira e Maria João Carreira (mãe da amiga da Enciclopédia de Cromos Ruby Kruss).

Maria João Carreira

Mais tarde, surgiram outros rostos como Ana Paula Reis, Valentina Torres, Lúcia Soares, Serenella Andrade, Vera Roquette, Ana Cristina Valente, Cristina Esteves (que apresentou o bloco de 1991 dissecado neste texto), Cristina Lebre, Carolina Ferreira, Cecília Penteado, Isabel Martins, Maria João Freire e Susana Santos.

Vera Roquette


Regra geral, estes pequenos bloco de locução de continuidade consistiam numa locutora sentada em frente a uma câmara num cenário onde geralmente poderia ser visto ao lado ou atrás da locutora o logótipo então vigente da RTP 1 ou da RTP 2. Outra particularidade era que embora várias destas locutoras fossem mulheres atraentes, elas surgiam sempre vestidas de forma sóbria, quando não mesmo pesada, como se houvesse na RTP um esforço para reduzir senão mesmo eliminar qualquer sex-appeal que elas pudessem transmitir. Mas mesmo vestidas como funcionárias de repartição de finanças abotoadas até ao queixo, as locutoras não deixaram de fazer parte do imaginário de muitos, inclusivé do mais libidinoso. 

A partir de 1990, os blocos de locução de continuidade presencial ficaram limitados ao fecho da emissão até pura e simplesmente deixarem de existir alguns anos mais tarde, substituídos pela locução em voz off. Nos primórdios da TVI em 1993, a função de locução de continuidade foi brevemente recuperada com nomes como Sofia Carvalho, Rita Stock e Cristina Caras Lindas. A locução de continuidade também foi usada posteriormente na RTP Internacional e na RTP África. Actualmente, essa nobre função é alvo de tributo na RTP Memória, com várias celebridades e até cidadãos anónimos a desempenhar a função para recordar os programas a serem exibidos nesse canal.

Sem desprimor para todas as outras, mas pretendo falar em pormenor sobre aquelas cinco que considero as mais míticas locutoras de continuidade da RTP.



Um pouco antes de entrar para a RTP, Ana Paula Reis também tinha aspirações musicais, tendo lançado o single "Utopia" em 1984. Além de locução de continuidade, também apresentou na RTP o concurso "Com Pés Em Cabeça", onde conduzia as provas disputadas no Pavilhão do Sacavenense e apresentou os Festivais da Canção em 1991 e 1994. Mais tarde dedicou-se sobretudo à psicologia, a sua área de formação académica, tendo se envolvido em vários projectos sobretudo relacionados com psicologia infantil e ao efeito terapêutico das artes. Desde 2013 que está integrada no gabinete executivo da Câmara Municipal de Cascais. Ainda assim, tem aparecido esporadicamente na televisão: em 1999 apresentou o concurso "Um Por Todos" na TVI com Nuno Homem de Sá e em 2007, conduziu um programa dedicado à psicologia na SIC Mulher.



Neste vídeo de 1988, Ana Paula Reis aconselha os telespectadores mais impressionáveis a não verem o filme "À Beira da Loucura".


Neste vídeo de 12 de Junho de 1986, antes do fecho da emissão Ana Paula Reis anuncia a programação da RTP 1 e da RTP 2 para o dia seguinte, onde se destaca a transmissão de dois jogos do Mundial de Futebol de 1986 no México.





Nascida a 13 de Agosto de 1955, Fátima Medina era estudante de Língua e Literaturas Modernas quando concorreu ao concurso para novos apresentadores da RTP. Com o seu rosto redondo, olhos brilhantes e voz rouca, tornou-se desde logo uma das mais populares locutoras da RTP. Entre a locução, a apresentação e o jornalismo, Fátima Medina permaneceu nos quadros da RTP até 2006. Desde então trabalhou para uma empresa de sinalética internacional e foi adjunta do gabinete do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.



Neste vídeo de 1985, Fátima Medina anuncia a transmissão na RTP 2 o filme "O Chefe da Orquestra" do polaco Andrzej Walda.





Natural de Vale de Cambra, Helena Ramos é uma das sobreviventes da RTP, integrando ainda os quadros da estação pública, sendo vista essencialmente na RTP Memória (na rubrica "Tributo"). Mantém ainda a sua imagem de marca, o penteado bob louro e a sua voz também é inconfundível sobretudo quando carrega nos R. Para além da locução e da apresentação, tem também uma paixão não tão secreta pela música, tendo cantado por exemplo no projecto televisivo e discográfico "Abbacadabra" onde fez de Cinderela, em alguns discos do Pirilampo Mágico e no programa "Todos Ao Palco" de Filipe La Féria. Só foi vista na televisão fora da RTP em 1997 no programa da SIC "Era Uma Vez", protagonizado por Marina Mota, que parodiava as conhecidas histórias infantis onde desta vez Helena Ramos desempenhou uma vilã, a madrasta da Branca de Neve.



Neste vídeo de 1986, entre os vários destaques da programação referidos por Helena Ramos, há que salientar a apresentação de cinco das canções concorrentes ao Festival da Eurovisão de 1986 e o concurso "1, 2, 3" que tinha como tema a guitarra.



E neste vídeo de 1988, Helena Ramos anuncia a transmissão da Gala do Filme Europeu, um evento recheado de estrelas.  





Isabel Bahia (sim com H, não Baía como o Vítor) era a locutora da voz zen, de tal forma que até acho que passou ao lado de uma grande carreira como hipnotizadora. Além da locução, Isabel Bahia apresentou os programas "Muito, Pouco, Nada", "Uma Boa Ideia", "Elogio da Leitura" e "Canal Aberto". Foi também a comentadora do Festival da Eurovisão de 1993 e no ano seguinte, o primeiro em que os porta-vozes dos votos surgiam em videoconferência, foi ela que deu os pontos de Portugal não sem antes mencionar que nesse ano de 1994, Lisboa era a Capital Europeia da Cultura. Fez ainda a narração da mini-série "A Morgadinhas dos Canaviais". Não sei se Isabel Bahia continua nos quadros da RTP, mas sei que ela continua a dar bom uso à sua voz zen em anúncio publicitários e narração de documentários.

Neste vídeo de 1990, Isabel Bahia explica o fim súbito de uma transmissão do concerto dos 3 tenores, José Carreras, Luciano Pavarotti e Plácido Domingo.



Também de 1990, é este vídeo onde Isabel Bahia anuncia a série "Chefe Mas Pouco" e o filme "Cerimónia Solene" de Nagisa Oshima, uma das primeiras obras do realizador de "O Império dos Sentidos".





Valentina Torres é outra incontornável, célebre pelo seu sorriso e pela sua voz. Segundo a própria, o seu nome é uma homenagem à primeira mulher no espaço, a soviética Valentina Tereshkova. Começou na RTP Porto e em 1983 apresentou com Eládio Clímaco o Festival da Canção desse ano que teve lugar na Cidade Invicta. E foi lá que Armando Gama deu-lhe uma balada que resultou numa união de 26 anos que gerou dois filhos. Voltou a apresentar o Festival da Canção em 1988 e em 1991, participou no programa "Hermanias Especial Fim de Ano" no sketch da fadista castiça russa. Nos anos 90, dedicou-se à música em parceria com Armando Gama, destacando-se o hit "Cenas De Um Casamento" ("a gente já não fala, só grita, só grita") e a participação no colectivo épico "Mãe Querida". Em 2005, foi concorrente no reality show da TVI "1.ª Companhia" e mais tarde foi comentadora da "Tertúlia Cor-de-Rosa" no programa "Fátima".

Neste fim de emissão de 1988, Valentina Torres refere o programa "História de Cidades" dedicado a Évora na RTP1. Curiosamente, aqui não é visto o hino nacional do fim da emissão, passando de um pensamento de Addison directamente para Mira Técnica. Provavelmente o hino foi deixado de fora da edição do canal Lusitania TV para o YouTube, mas prefiro pensar que Valentina Torres carregou num botão que fez desligar tudo. 


Também de 1988 é este vídeo onde Valentina Torres anuncia a transmissão do filme "Superman 2: A Aventura Continua" em Lotação Esgotada, onde não faltava a menção aos desenhos animados que precediam a emissão desse mítico espaço de cinema da RTP e depois regressa para as despedidas de fim de emissão (e desta vez há direito a hino com imagens do nosso país). 





Para terminar e para provar que na RTP não havia apenas solenidade, um divertido vídeo de outtakes com Margarida Mercês de Mello e Manuela Moura Guedes.



  
     

sábado, 20 de agosto de 2016

Telhados de Vidro (1993)

 Texto de Pedro Marta - que já anteriormente colaborou com a Enciclopédia com o artigo "Camilo e Filho, Lda" - sobre a primeira novela Made In TVI: "Telhados de Vidro".

Foi na viragem do século que a TVI se impôs na ficção nacional com as novelas "Todo o Tempo do Mundo", "Jardins Proibidos" e "Olhos de Água", mas a sua primeira tentativa foi em 1993 com "Telhados de Vidro".
Escrita por Rosa Lobato de Faria e realizada por Carlos Coelho da Silva, "Telhados de Vidro" foi emitida entre 20 de fevereiro e junho de 1993, num total de 150 episódios a ação inicia-se na empresa Vaz Hotel, propriedade de António Cortesão Vaz (Jacinto Ramos). A secretária, Maria Clara (Eugénia Bettencourt), sujeita-se a humilhações do patrão, sabendo que vai estar incluída no testamento. Com a ajuda do irmão Viriato (André Maia), António é morto. No entanto, o testamento está provado para diversas pessoas.
A novela foi produzida pelos Estúdios Atlântida, produtora de Tozé Martinho (que era diretor de atores e interpretava a personagem Henrique Batalha). Talvez por esse motivo é justificada a presença de vários atores de "Palavras Cruzadas", emitida na RTP em 1987, que foi a primeira produção da produtora, como, por exemplo: Filomena Gonçalves, Jacinto Ramos, Manuela Carlos, Manuela Marle ou Natalina José. Do elenco também fizeram parte outros nomes como Adriana Barral, Carmen Santos, Eugénia Bettencourt, José Boavida, Lourdes Lima, Mané Ribeiro, Margarida Reis, Rita Alagão, Sofia Grillo, Teresa Negrão e Vítor de Sousa.
Fotos individuais: Facebook "Telhados de Vidro".
 Por ser um canal de baixas audiências - em 1993, no seu primeiro ano de emissão, contabilizava uma média de 6.6% de share - "Telhados de Vidro" não correspondeu às expectativas, no entanto, ainda foi reposta em 1995 e nunca mais voltou à antena, nem na TVI Ficção.
No arquivo da TVI há vinte e um anos, são escassas as imagens desta novela, que tem vindo a ser renegada, mas o seu genérico está presente no YouTube e é possível entoar a canção interpretada por Dina: “Telhados de vidro, telhados de vidro/Segredos, enredos que uma vida tem (...)”.




O nosso agradecimento ao Pedro Marta pela contribuição! Desta novela em particular creio que só me recordo de partes do genérico e do título que foi emprestado do provérbio "Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho.".


Podem ler todos os posts dos nossos "Convidados Especiais".


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sábado, 13 de agosto de 2016

Iogurtes Mimosa (1984)

O clássico iogurte "Mimosa" fez publicidade em 1984 a um concurso com "valiosos prémios", que eram os seguintes: Barco de borracha "Repimpa" com motor "Solo"; Motorizadas "Casal", Tendas Canadianas "André Jamet", Videopacs "Philips", Music Tone "Casio", Mini Games, Relógios "Timex" digitais... e muito mais!
 Para concorrer bastava recortar a palavra "mim" das tampas e colar 20 desses na "caderneta", carimbá-la "no local onde costumas comprar o teu iogurte Mimosa" e enviar para a "Proleite".
Alguns dos nossos leitores ganharam algum prémio deste concurso?

Publicidade retirada da revista Mickey Nº 49, de 1984. 
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Carrinhos Toddy (1984)

Em 1984 o chocolate em pó "Toddy" ofereceu nas suas embalagens de Toddy Super Vitaminado uma colecção de 12 miniaturas de carrinhos. Provavelmente a operação de retirar as miniaturas da embalagem de Toddy obrigaria a lamber o chocolate agarrado à carroçaria da mini viatura. Curiosamente, o anúncio exibe apenas 7 das 12 miniaturas.


Publicidade retirada da revista Mickey Nº 49, de 1984. 
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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Carlos Lopes campeão olímpico (1984)

por Paulo Neto

Já falámos aqui há dias dos Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles, a propósito da primeira maratona feminina olímpica onde Rosa Mota foi uma das ocupantes do pódio. Com a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro esta semana e a notícia do falecimento do Professor Mário Moniz Pereira, impõe-se um regresso a esses Jogos da 23.ª Olimpíada e recordar aquela que é uma das páginas mais gloriosas do desporto português.



Os Jogos Olímpicos de 1984 foram bastante decisivos para o Movimento Olímpico. Com as últimas edições a serem marcadas por boicotes e outras influências políticas, pesadas facturas financeiras e até mesmo um acto terrorista em 1972, havia cada vez menos interesse em cidades e países acolherem uns Jogos Olímpicos. Aliás, além de um efémero interesse por parte de Teerão, Los Angeles foi a única cidade candidata aos Jogos de 1984, pelo que organizou o evento pela segunda vez, após ter-se estreado em 1932.
Entendendo que a viabilidade económica dos Jogos Olímpicos passava por aí, o comité organizador liderado Peter Ueberroth desenvolveu várias parcerias com empresas patrocinadoras, como por exemplo a Coca-Cola e a MacDonald's, minimizou os custos de construções das infraestruturas e negociou contractos de direitos de transmissão televisiva. Como tal, os Jogos Olímpicos de Los Angeles foram os primeiros economicamente lucrativos e esse sucesso suscitou as ambições de cidades um pouco por todo o mundo em também serem cidades olímpicas.
Além disso foram os primeiros Jogos onde as portas foram abertas aos atletas profissionais: por exemplo os futebolistas profissionais que nunca disputaram um Mundial de Futebol podiam ser convocados para a selecção olímpica do seu país.


Em retaliação ao boicote de liderado pelos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980, a União Soviética e os seus países aliados boicotaram os Jogos de 1984, com a notável excepção da Roménia, cuja delegação foi das mais aplaudidas na cerimónia de abertura. Ainda assim, um número recorde de 140 países marcaram presença, incluindo a República Popular de China pela primeira vez desde 1952. Além da maratona, houve pela primeira vez provas exclusivamente femininas no tiro e no ciclismo, bem como a estreia olímpica da ginástica rítmica e da natação sincronizada.
Portugal esteve representado por 39 atletas e obteve em Los Angeles a sua melhor participação olímpica até então, conquistando três medalhas. Tal como Rosa Mota na maratona, António Leitão conquistou a medalha de bronze nos 5000m numa corrida em que ele e Ezequiel Canário dominaram por bastante tempo. Outros bons resultados foram o 6.º lugar de Aurora Cunha nos 3000m e o 7.º lugar de Alexandre Yokochi nos 200m bruços, que se mantém como a única presença de um português numa final olímpica de natação. A única grande decepção foi Fernando Mamede, que semanas antes batera o recorde mundial dos 10000m, mas que mais uma vez cedeu à pressão psicológica que o assaltava em grandes competições e abandonou a corrida.

António Leitão ganhou a medalha de bronze nos 5000m


Mas o ponto alto da participação nacional estava marcado para o último dia e para a derradeira prova dos Jogos de Los Angeles. 107 atletas de 59 países apresentaram-se na linha de partida para a maratona olímpica aos 12 dias de Agosto de 1984. O contingente era bastante forte, mas havia três favoritos principais: o australiano Robert de Castella, campeão do mundo em 1983, o japonês Toshihiko Seko que não perdia uma maratona desde 1979 e o americano Alberto Salazar que vencera três vezes consecutivas a maratona de Nova Iorque. Porém nenhum deles chegou às medalhas. (Castella foi quinto, Seko 14.º e Salazar 15.º).



Carlos Lopes, que já tinha uma medalha prata em 1976 nos 10000m, tinha então 37 anos e só completara antes apenas uma maratona, a de Roterdão em 1983, onde perdeu apenas para De Castella. Duas semanas antes da sua partida para Los Angeles, Lopes foi atropelado por um Mercedes-Benz quando treinava na Segunda Circular, mas felizmente escapou praticamente ileso. Aos 37km, o português seguia na frente juntamente com o irlandês John Treacy e o britânico Charles Spedding quando desferiu um ataque à liderança que não mais largou. Carlos Lopes cortou a meta ao fim de 2 horas, 9 minutos e 21 segundos, um recorde olímpico que durou até 2008. Treacy foi segundo e Spedding terceiro. A única outra maratona que Lopes venceu foi a de Roterdão em 1985 onde bateu recorde o mundo. Lopes pode ter vencido somente duas maratonas, mas que duas!




Lopes com a bandeira de Portugal após a sua vitória
Treacy (IRL) e Spedding (GBR) ficaram em segundo e terceiro

Foi portanto em plena cerimónia de encerramento, ao fim de 16 dias de glória em terras californianas, que pela primeira vez um atleta português recebeu uma medalha de ouro olímpica e ouviu-se "A Portuguesa" em solo olímpico. Embora tradicionalmente a cerimónia protocolar da maratona masculina seja a última dos Jogos Olímpicos, Carlos Lopes não foi o último campeão olímpico de 1984 a ser condecorado, pois logo a seguir, numa daquelas patriotices à americana, teve lugar a cerimónia protocolar numa prova de hipismo, ganha por um americano, onde os medalhados entraram montados a cavalo no Coliseu de Los Angeles.



Ao longo dos mais de 42 quilómetros da maratona e no momento de consagração, não foi apenas o Carlos Lopes natural de Vildemoinhos (Viseu) que correu e que subiu ao pódio para receber o ouro, mas sim todo um país pouco habituado a vitórias, desportivas e não só. Foi também a confirmação dos frutos semeados pelo trabalho do Prof. Mário Moniz Pereira, que como técnico do Sporting, revolucionou o atletismo nacional (para não dizer mesmo o desporto português em geral) e forjou atletas excepcionais como Lopes, Mamede e os gémeos Domingos e Dionísio Castro, provando que com as condições e as orientações certas para treinar e a mescla acertada de talento, disciplina e trabalho duro, os atletas portugueses eram capazes de feitos tão gloriosos quanto os dos outros países. E desde então têm sido vários os atletas nacionais a encher o nosso país de orgulho, nomeadamente em solo olímpico.  

Mário Moniz Pereira (1921-2016)


"50 Anos 50 Notícias" (RTP 2007):


Momentos finais da maratona masculina:



Transmissão integral da prova (ABC Estados Unidos):


Paródia à vitória de Carlos Lopes em "Os Simpsons"





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