quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Passatempo Miluvit - Vitinho



Vez e outra vem parar-nos à mão publicidade a passatempos organizados para promover determinadas marcas. Recentemente consegui uma página - algo danificada - de publicidade ao passatempo dos flocos de cereais Miluvit, protagonizada pelo adorável Vitinho - o famoso personagem criado por José Maria Pimentel. Depois de digitalizar a página reparei-a o melhor que pude, e cá está ela para memória futura.
O discurso do anúncio é directo aos mais jovens na forma como explica o funcionamento do passatempo:
"Queres saber como é? vamos a isso. é muito fácil:
Dentro das embalagens do miluvit vêm peças que fazem parte de um puzzle. Junta as diferentes peças coloridas até completares o desenho.
Quando tiveres as 6 diferentes pelas coloridas, recorta-as e cola-as num postal dos CTT..."
O postal teria que ser enviado para a Milupa e depois de validado poderia ganhar um dos seguintes prémios:
Réguas, Autocolantes, Cadernos, Individuais, "Lata Mealheiro", Horários, calendários, Lanternas, Posters em Feltro, etc...


"nós e miluvit...amigos p'rá vida!"

Vitinho completa o puzzle:
As embalagens de Miluvit nas variedades; Multicereais, Maças, Mel e Arroz.


Como bónus, vídeos de anúncios ao Miluvit publicados no canal de Youtube do "Clube Vitinho":




Reparem no pormenor dos calendários do Vitinho que o rapaz tem na mão, neste anúncio em imagem real por oposição à animação dos anteriores:


Aconselho também a visita ao Facebook do "Clube Vitinho".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

Ainda Faltam Três Anos Para O Ano 2000 (1996/97)

por Paulo Neto

Quase dezasseis anos volvidos, o ano 2000 já parece longínquo, tantos foram os anos que já passaram e tantas as voltas que o mundo já deu desde então. Porém ainda me recordo muito bem da expectativa da chegada desse ano na segunda metade dos anos 90 que se sentia um pouco por todo o mundo. Talvez por isso, o programa especial da SIC para o réveillon 1996/97 tinha o extenso e pomposo título "Ainda Faltam Três Anos Para O Ano 2000"

Na altura, a estação de Carnaxide dominava indiscutivelmente as audiências e por isso era grande a expectativa sobre qual seria a sua programação para acolher a chegada do ano 1997, já que em anos anteriores, a SIC tinha apostado em programas especiais que reuniam as estrelas da estação. Nesse ano, o réveillon da SIC esteve a cargo de Teresa Guilherme. Primeiro com uma emissão especial do "Ai Os Homens" com concorrentes famosos como João Baião, Guilherme Leite, Camacho Costa, Carlos Areia, Luís Esparteiro, Nuno Graciano (pré-calvície), Miguel Dias e os dois cromos residentes, o Ulisses e o Johnny Bigode, com Margarida Martins como presidente do júri. Depois com a própria a conduzir "Ainda Faltam Três Anos Para O Ano 2000", um programa que mais uma vez reunia as mais famosas caras da estação na assistência e que se pautou por vários momentos de música e humor. 

Por exemplo, Anabela e Sara Tavares interpretaram as míticas canções com que ganharam o Festival da Canção, "A Cidade (Até Ser Dia)" e "Chamar A Música", acompanhadas por um jovem coro.


O mesmo coro acompanhou Miguel Ângelo a cantar o "Sou Como Um Rio" dos Delfins.


Também houve actuações musicais dos Santos & Pecadores,  dos Ritual Tejo, na altura em alta com o hit "Nascer Outra Vez" e de Pedro Abrunhosa & Os Bandemónio, que tinham acabado de editar o aguardado segundo álbum. 

Entre os momentos de humor, constavam vários apanhados em que as vítimas eram as estrelas da estação. Conta Teresa Guilherme no livro "Isso Agora Não Interessa Nada", que reúne crónicas sobre as suas experiências televisivas, como apresentadora e/ou produtora.
"...a ilustre plateia tremeu. E continuou a tremer durante todo o espectáculo. Eu, entre uma música e outra, lá me ia aproximando das mesas, lançando as maiores barbaridades. Mostrámos tudo. Desde as entrevistas falsas, em que o Miguel Vital, por exemplo tinha dado cabo da energia do João Baião, aos enganos repetidos e cheios de gargalhadas da Alberta Marques Fernandes, a gravar os seus votos de boas-festas. Também fizemos uma colectânea de frases excepcionais, que os nossos VIP tinham dito ao longo do ano na imprensa, e a Fátima Lopes lá viu escarrapachado no ecrã a sua afirmação: «Eu sinto-me sensual com um grande decote.» Cada vez que eu me aproximava de uma mesa, os convidados deitavam as mãos à cabeça, mesmo antes de anunciar o mimo que tínhamos preparado para eles."




Outro dos apanhados de que me recordo nesse programa foi um que envolveu algumas das caras bonitas da SIC da altura, como Liliana Campos, Cristina Mohler ou Maria João Pinheiro, em que elas filmavam uns testes para apresentar um possível programa sobre música mas algo estranho sucedia como palavras impronunciáveis no teleponto ou uma acesa discussão entre duas pessoas no estúdio.



Nesse ano, Teresa Guilherme apresentou o programa "Ousadias" em que o ponto alto eram as falsas entrevistas de Miguel Vital. Hoje conhecido como a voz-off de "O Preço Certo" mas na altura um desconhecido, Vital assumia o papel de um entrevistador nervoso e inapto em entrevistas que testavam os limites da paciências dos famosos entrevistados, revelando que esses mesmos limites eram algo reduzidos para algumas dessas figuras públicas. 
Este programa de réveillon também mostrou algumas das falsas entrevistas que não tinham sido exibidas em "Ousadias", incluindo uma a Pedro Abrunhosa, onde este acabou por revelar algo bastante íntimo e pouco condizente com a imagem de galã que cultivava. Escreveu Teresa Guilherme no livro supra-referido:
"A determinada altura o Miguel confessou-lhe a chorar que tinha problemas com a namorada. Acrescentou em surdina que estava impotente. Estas confidências fizeram vibrar a corda solidária do macho mais velho Abrunhosa, que disparou uma rica panóplia de conselhos na tentativa de o animar. Mas o Miguel insistia. Na teoria era tudo muito bonito, mas o Pedro não devia saber o que era estar em baixo quando a namorada já andava lá por cima. E perguntava entre lágrimas: «E ao Pedro, sim a si, já alguma vez lhe aconteceu?»
E foi aí que Abrunhosa, o machão da paróquia, confessou. Sim, já tinha estado com mulheres fabulosas sem "estar". Que sim, às vezes ele queria, mas o seu amiguinho não estava pelos ajustes. E chegou mesmo a reproduzir os diálogos murchos que já tinha tido com o seu pouco colaborante parceiro de desventura: «Então pá, não te levantas?...» e ficamos por aqui.

Aliás esse "Então pá, não te levantas?" foi repetido durante os spots de promoção ao programa. Teresa Guilherme conta ainda na mesma crónica que por causa dessa partido, Pedro Abrunhosa esteve anos sem lhe falar. O que dado o teor da revelação e a forma como TG conseguiu que Abrunhosa autorizasse os direitos de imagem (não lhe disseram que iriam exibir a entrevista), é compreensível, diria eu.

Mas o apanhado mais divertido foi aquele que envolveu um dos (ainda hoje) principais rostos da informação da SIC, Rodrigo Guedes de Carvalho, e do então director de programas, o malogrado Emídio Rangel que viram as suas cabeças magicamente colocadas em cima dos corpos musculados dos culturistas que fizeram o casting para o papel do Ulisses do "Ai, Os Homens".



A contagem decrescente para 1997, foi feita ao som de uma adaptação do hino da SIC e com vários planos das caras da estação e dos convidados musicais: Camilo de Oliveira, Liliana Campos, Manuel Serrão, Alexandra Fernandes, Paulo Costa (Ritual Tejo), José Figueiras, Rita Salema, Maria João Pinheiro, Ângelo Torres (da sitcom "Pensão Estrela"), Luís Mascarenhas, Nuno Melo, Emídio Rangel, Júlia Pinheiro, Rodrigo Guedes de Carvalho, Artur Albarran, Olavo Bilac, Margarida Pinto Correia, Miguel Vital, Carlos Narciso ("Casos de Polícia") e  Conceição Lino.


Segundo Teresa Guilherme, o programa alcançou uns espantosos 80% de share (outros tempos!) e tal foi o êxito que um programa semelhante foi encomendado para o réveillon seguinte, o de 1997/98, com o algo evidente título de "Ainda Faltam Dois Anos Para O Ano 2000."

E agora que estamos à beira do décimo-sexto ano depois do ano 2000, aproveito para desejar um bom ano de 2016 a todos os leitores do blogue e seguidores do Facebook da Enciclopédia de Cromos. Muito obrigado pelo vosso apoio, pelos vossos comentários e pelos vossos likes. E podem contar com mais cromos no próximo ano!
  
        

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O Papá Das Pernas Altas (1990)

por Paulo Neto

"O Papá Das Pernas Altas" foi uma série animada japonesa de 1990 que adaptava o romance do mesmo nome de Jean Webster, publicado em 1912 e que já teve diversas adaptações cinematográficas: a primeira em 1919 com a estrela do cinema mudo, a canadiana Mary Pickford, e a mais famosa num filme musical de 1955 com Leslie Caron e Fred Astaire, além de já ter tido uma versão indiana em 1984 e outra coreana em 2005. Aliás, já em 1979 foi objecto de uma adaptação para um telefilme anime japonês.



A série anime de 1990 de título original "Watashi No Ashinaga Ojisan" foi exibida em Portugal na TVI em 1994, com a particularidade de por cá ter passado a dobragem italiana com legendas em português. Além desta, a única série anime que me lembro ter passado em Portugal com dobragem italiana foi "A Minha Amiga Licia", exibida na RTP também em 1994.

A série conta a história de Judy Abbott, uma orfã com talento para a escrita, que tem a oportunidade de fazer o ensino secundário num prestigiado colégio, o Lincoln Memorial, sendo financiada por um misterioso benfeitor, sob o nome de John Smith, do qual tudo o que Judy conhece é a sua silhueta que ela viu uma vez, e como tal refere-se a ele como o "Papá das Pernas Altas". A única condição que o benfeitor impõe à jovem é  a de escrever-lhe todos os meses uma carta sobre a sua estadia e os seus estudos no Lincoln Memorial, sem esperar uma resposta.



Judy torna-se imediatamente amiga de uma das suas colegas de quarto, a tímida Sally McBride. Já com a outra colega de quarto, a empertigada Julia Pendleton, a relação não começa muito bem já que esta age com superioridade diante de Judy e Sally e não percebe como é que alguém de origem obscura como Judy conseguiu entrar no colégio. Mas gradualmente, Julia e Judy acabam também por se tornar amigas, sobretudo quando Julia apaixona-se, contra a oposição da sua família, por Jimmy, o irmão de Sally, um garboso universitário de Princeton e estrela do futebol americano.





No final, Judy descobre que o seu benfeitor é Jervis Pendleton, o tio de Julia, com quem sempre simpatizara durante as visitas deste ao colégio. Empresário bem-sucedido e excêntrico, Jervis desiludiu-se com a hipocrisia da alta sociedade, tendo dedicado a sua fortuna a ajudar os mais desfavorecidos. No final da série, uma relação amorosa nasce entre Judy e Jervis.

As vozes da dobragem italiana eram de Debora Magnaghi (Judy), Donatella Fanfani (Sally), Emanuela Pacotto (Julia), Diego Sabre (Jimmy) e Marco Balzarotti (Jervis).

Apesar da história ser ameninada, recordo-me de acompanhar a espaços a série e de achar particular graça às tranças da Judy, bem semelhantes à da Pipi das Meias Altas. 

Genérico*:



* Embora na versão que passou em Portugal, este fosse o genérico de abertura, a música usada tanto no genérico de abertura como no genérico final, era a música do genérico final japonês.

Excerto da versão italiana:




quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Litão de Natal

Quem já acompanha a Enciclopédia há algum tempo, sabe que sou de Olhão, no Algarve. A minha terra aparece na televisão de modo sazonal: reportagens sobre o Festival do Marisco, apreensão de drogas, iguarias como a Vila de Ameijoas e mais recentemente Bolos Reis gigantes. Mas um clássico de Olhão na altura do Natal, é a obrigatória reportagem televisiva sobre o prato tradicional: Litão. Sim, litão e não leitão.

Foto: "Flickr - Rui Costa"


Reportagem de 2016:

Reportagem de 2013:

Reportagem da TVI de 2015: "Litão é o rei à mesa no Natal de Olhão"

Reportagem do jornal JN de 2015 : "O litão é o prato principal da Consoada das famílias de Olhão"

Litão é um pequeno tubarão que é seco, salgado e seco ao sol durante o Verão. A modalidade "à moda de Olhão" é em guisado. Em tempos idos era o prato da população mais pobre sem recursos para adquirir o caro bacalhau. Actualmente é muito mais dispendioso, mas as famílias fazem o esforço para o incluir no jantar mais importante do ano. E claro que a restauração local o inclui nas ementas natalícias.

Um exemplar de litão recém-capturado. Foto: APOS
O amor ao peixe é tão grande que alguns anos foi criada a Confraria Olhanense do Litão. Sim, daqueles grupos de fãs que usam uns chapéus engraçados. Espreitem a página do Facebook aqui.
Foto: Confraria Olhanense do Litão

O site da APOS descreve o Litão do seguinte modo:
"O nome mais usual em Portugal é leitão mas em Olhão chamamo-lo litão. Em inglês denomina-se blackmouth catshark, em francês chien espagnol, e em espanhol, pintarroja bocanegra.
Trata-se de um pequeno tubarão parecido com a patarroxa que se distribui pelo Mediterrâneo, e Atlântico Oriental (...) O peixe é geralmente aberto, passado por um pouco de sal e posto a secar ao Sol por 4 ou mais dias (dependente da radiação). Depois é guardado alguns meses até ser consumido. A pele seca era antigamente utilizada para lixa. Antes de ser consumido tem de ser demolhado durante cerca de 1 dia."

O peixe já seco, e pronto a vender.
Foto: Internet
O litão a secar ao ar livre. Imagem capturada na Doca de Olhão.
Foto: Internet
Já no prato:
Foto: Internet

Foto: Internet

Cá por casa, não falta na consoada, em versão guisado, e apesar da minha aversão a peixe (quando criança só comia as batatas e o molho no pão), tenho-o comido nos últimos anos e tenho que reconhecer que apesar de bastante salgado é agradável. Diz-me a minha mãe que também se faz em feijoada.
Espero depois da Ceia de Natal por aqui algumas fotos do litão já no prato.

No site "Can The Can" podem consultar uma sugestão de receita para preparar Litão: "Can The Can Lisboa - Litão".

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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Minha Agenda RTP (1985-1998)

por Paulo Neto

É uma verdade universal que a publicidade é arte de fazer algo parecer imprescindível, mesmo que na realidade a aquisição desse produto não seja de todo essencial à nossa existência. Um dos casos mais célebres do poder da publicidade foi a de uma série de anúncios que nos anos 80 e 90, por alturas do Natal, tornavam algo tão prosaico como uma agenda num dos presentes mais desejados no sapatinho pela petizada. Para tal bastava uma série de anúncios natalícios bem coloridos e um simples mas contagiante jingle:

"Para o Natal, 
o meu presente 
eu quero que seja
A Minha Agenda,
A Minha Agenda..."

E era o que bastava para cativar a petizada e para que uma parte dessas tivesse vontade de pedinchar "A Minha Agenda RTP"  para a sua lista de presentes de Natal. Eis um desses anúncios, de 1994, referente à edição de 1995.


Se não estou em erro, embora o anúncio fosse diferente a cada ano, a gravação audio, tanto do jingle como da voz-off que dizia "A Minha Agenda: jogos, magia, diário, receitas. E muitas ideias para todas as semanas do ano." rematando no célebre slogan "A prenda de Natal para o ano inteiro", foi sempre a mesma. Mas seja como for, durante anos a fio, os anúncios de A Minha Agenda RTP faziam parte da quadra, tal como o anúncio das Fantasias de Natal, o Natal dos Hospitais e os fritos na noite da Consoada.   
Não sei precisar, mas creio que a primeira edição de A Minha Agenda RTP que surgiu foi a do ano de 1986, editada no Natal de 1985 e pelo que pude apurar, a última edição foi a de 1998. A Minha Agenda era uma iniciativa conjunta da RTP e da Editorial O Livro, que era também a editora de famosos manuais escolares como os livros de Língua Portuguesa das séries do "Papu" e "Aos Quatro Ventos" no ensino primário ou os manuais de Educação Musical do 2.º ciclo "Ao Encontro Da Música". Aliás, notava-se que o ilustrador de A Minha Agenda era o mesmo desses manuais.





Agora a pergunta que se impõe: "Paulo, tu chegaste a receber A Minha Agenda RTP no Natal?". E a resposta é "Sim." No Natal de 1993, não me recordo da parte de quem e se foi por meu pedido ou não, a edição para 1994 figurou entre as minhas prendas dessa noite. Foi uma Consoada que recordo particularmente bem por ter sido a única onde toda a família se reuniu em minha casa e não em casa da minha Avó Ana, como tinha sido hábito até então e também por ter sido a única Noite de Consoada em que estive doente: tinha passado todo o dia de cama e só me levantei para ir para a sala nessa noite. 



Foi com agrado que recebi a "A Minha Agenda RTP" 1994 como presente, que como era habitual continha várias rubricas como receitas, actividades de trabalhos manuais, ideias para jogos e truques de magia e notas astrológicas. Lembro-me de ter recriado alguns jogos e truques de magia, já que a minha fraca habilidade manual impedia-me de aventurar em fazer as receitas ou trabalhos manuais mais elaborados.
Porém na sua principal função, a de agenda propriamente dita deixava ainda um bocado a desejar. Para já, a sua dimensão e peso não ajudavam muito para que fosse levada de um lado para o outro e depois o conteúdo em si já parecia um bocadinho infantil para os 13 anos que tinha na altura, pelo que nunca me atrevi a levá-la para a escola. Por fim, como não só o espaço disponível para escrever sobre o que se fazia em cada dia era pouco mas também a minha vida na altura era tudo menos preenchida, acabava por só escrever coisas mais sucintas que uma mensagem de Twitter: "Hoje tive teste de Físico-Química.", "Fui ao cinema ver 'A Família Addams 2' ", "A Liliana Margarida fez anos ontem.", "Vi o 'Jogo do Ganso" e o 'Nunca Digas Banzai' ", "Hoje fez muito frio." e por aí fora. Isto ao princípio, que chegado a Maio desse ano, deixei de escrever de todo.

Se já na altura era preciso aquele eficaz chamariz publicitário para convencer a petizada de que uma agenda era um atractivo presente de Natal, creio que hoje em dia nem com isso conseguiriam cativar a geração das apps e das redes sociais. Seja como for, A Minha Agenda RTP e os seus anúncios merece o seu lugar na memória colectiva dos Natais dos anos 80 e 90.

E claro está, em 2010, no auge da rubrica "A Caderneta de Cromos" da Rádio Comercial, uma edição de "A Minha Agenda" foi editada com vários elementos da rubrica de Nuno Markl. 





domingo, 20 de dezembro de 2015

Reguilas - Chocolates de Leite Aliança



 Recordo vagamente de ver à venda estas pequenas tabletes de chocolate de leite "Reguilas" da Aliança (responsáveis, entre outras iguarias, pelo "Chogurte"). Sinceramente, nunca me seduzi por tabletes tão minúsculas - 10 gramas - sem recheio e com tão pouco para comer. O slogan tenta ser modernaço "um chocolate muito louco" mas as diferentes ilustrações do papel que embrulha cada chocolate fazem recordar os desenhos de alunos da primária.


Imagens Digitalizadas e Editadas por Enciclopédia de Cromos.

Não existe quase rasto digital da marca "Aliança" mas o site "Chocolate Wrapper Museum" tem várias amostras de embrulhos de chocolates, entre uns mais genéricos e outros como "Primavera", "Abelha Maia", "Paddington", "Crispy Crack", "Suidzo", "Feelings" ou o chocolate de cozinha "Bleuville". O excelente blog "Santa Nostalgia" também tem um reclame ao "Bleuville".
"Chocolate Wrapper Museum"  adianta ainda que "existiam muitas pequenas companhias de chocolate em Portugal como a Aliança, Celeste que fecharam em finais dos anos 80 e nos 90."
No fórum do Mistério Juvenil é possível encontrar um depoimento de um utilizador que recorda outros produtos fabricados pela Aliança: Zainy Crispy, Tofee Crispy, Bélinhas (as bolachas cobertas de chocolate, não as chapadas na testa), Shortcake...


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Pocahontas (1995)

por Paulo Neto

A Disney viveu uma nova era dourada das suas produções animadas, a chamada "Disney Renaissance" que se iniciou em 1989 com "A Pequena Sereia" e que se concorda ter terminado em 1999 com "Tarzan". Durante esse período, os estúdios Disney produziram uma obra animada em cada ano e à medida que os títulos iam se sucedendo com grande sucesso, havia anualmente altas expectativas sobre como iria ser a próxima longa metragem animada. Se nos Estados Unidos, esses filmes estreavam habitualmente no Verão, em Portugal os mesmos só chegavam cá em plena época natalícia e por isso eram mais um ingrediente a trazer mais alegria aos Natais portugueses dos anos 90, inclusive os meus, já que era costume ir ver esses filmes com o meu irmão durante as sempre ansiadas férias. Como já descrevi antes, esta nossa tradição começou em 1994, com "O Rei Leão" que vivemos com particular emoção. Por isso, era óbvio repetirmos a experiência no ano seguinte com "Pocahontas".



O filme, realizado por Mike Gabriel e Eric Goldberg, era inspirada pela história da colonização da América, narrando um encontro ficcionado entre a célebre nativa Pocahontas e o explorador inglês John Smith. Em 1607, um navio de colonos ingleses chega para fundar Jamestown. Entre eles está o Capitão John Smith. A expedição é liderada pelo pérfido John Ratcliffe, que pretende apoderar-se do ouro que acreditar existir naquelas terras para ascender na corte britânica. Entretanto, a nativa Pocahontas hesita em seguir o conselho do seu pai, o chefe Powhatan, de casar-se com o guerreiro Kocoum, que ela considera sério demais. Acompanhada pelos seus fiéis amigos animais, o beija-flor Flit e o guaxinim Meeko, Pocahontas procura de conselho junto da Avó Willow, uma árvore que também é uma criatura mística. Pouco depois, ela encontra John Smith e surge uma atração mútua entre ambos e um fascínio pelo mundo do outro.
As coisas complicam-se quando os dois são surpreendidos por Kocoum e por Thomas, um jovem colono, que desencadeiam uma série de acontecimentos trágicos e conduzem a um iminente conflito sangrento entre índios e colonos que Pocahontas terá de evitar.



Na versão original, o filme contou com as vozes de Irene Bedard (Pocahontas), Mel Gibson (John Smith), David Ogden Stiers (Ratcliffe), Christian Bale (Thomas) e Linda Hunt (Avó Willow), A versão portuguesa (foi o segundo filme Disney com dobragem em português de Portugal) tinhas as vozes de Manuela Couto, Miguel Ângelo, António Marques, Carlos Freixo, Fernando Luís e Anna Paula, respectivamente como Pocahontas, John Smith, Ratcliffe, Thomas, Chefe Powhatan e Avó Willow, sendo que uma então pouco conhecida Susana Félix era a voz da protagonista nas canções.    

Apesar de não ter tido as estrondosas receitas de "O Rei Leão", "Pocahontas" foi mais um sucesso dessa era Renaissance da Disney, apesar de ter recebido algumas críticas quanto à fragilidade da narrativa, o tratamento dos nativo-americanos e as inexactidões históricas. Por exemplo a verdadeira Pocahontas teria apenas 10 ou 11 em 1607. Tal como os outros filmes anteriores da era Renaissance, o filme também triunfou nas categorias musicais dos Óscares, ganhando a estatueta para melhor partitura, da autoria de Alan Menken, e melhor canção para "Colours Of The Wind", interpretada originalmente no filme por Judy Kuhn e numa versão pop por Vanessa Williams. Daniela Mercury gravou também uma versão do tema em português que foi incluído nos créditos finais das versões brasileira e portuguesa do filme.  



Mas ainda assim, apesar de não ter arrebatamento de "O Rei Leão", também gostei de "Pocahontas". Achei particularmente divertidas as cenas em que Meeko azucrinava Percy, o cão de estimação de Ratcliffe. E ainda hoje, para mim não restam dúvidas que a Pocahontas é a princesa Disney mais sexy.          


Susana Félix "As Cores Que O Vento Tem (Colours Of The Wind")


Trailer VHS Portugal


Trailer cinematográfica original


Vanessa Williams "Colours of the wind"



  

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Guerra das Estrelas: Episódio I - A Ameaça Fantasma - O site oficial (1999)

Em 1999 a histeria global a antecipar a estreia do Episódio I da Guerra das Estrelas - o "Star Wars: Episode I - The Phantom Menace" - contagiou a Internet, que na época não tinha tantos utilizadores nem era omnipresente como actualmente [recorde a colecção de autocolantes da Pepsi]. A secção dedicada à Rede do "Correio da TV" (revista suplemento do jornal "Correio da Manhã") não podia deixar a estreia passar em branco e recomendam o site oficial da saga Star Wars, com o endereço http://www.starwars.com.
Eu só o visitei mais por volta de 2002, à espera da estreia da sequela "Ataque dos Clones"...
O site era bem catita, ainda mais comparando com as opções de estética de finais dos anos 90 que usualmente usavam a técnica "cores berrantes em contraste para cegar o cibernauta".


O site em 1999:

E o site em 2015:
http://starwars.com


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sábado, 12 de dezembro de 2015

Star Wars em VHS - A minha colecção

A saga cinematográfica que dispensa informações, Star Wars - "A Guerra das Estrelas" para os mais antigos. E antes de termos à disposição os DVDs recheados de extras e documentários, existiam as cassetes de vídeo VHS. Apesar de ter sido um adoptador tardio dos leirores/gravadores de VHS, ainda tenho uma boa colecção de cassetes, a maioria gravadas da TV. Mas claro que também tenho vários filmes - originais - em cassete. E uma das minhas aquisições favoritas são estas edições VHS da edição portuguesa dos filmes da Guerra das Estrelas, neste caso específico a trilogia original em versão Edição Especial e o Episódio I da nova trilogia. Devido à quantidade de vezes que revi os filmes acredito que a fita já deve estar bem gasta, mas bem estimadas!


Caixas dos filmes, Episódio I e a trilogia original.

A trilogia original, do Episódio IV ao Episódio VI (da direita para a esquerda).
A Edição Especial desencadeou polémica entre os fãs até aos dias de hoje, devido ás alterações e melhoramentos feitos aos filmes originais.

Para ver todas as fotos, clique no link abaixo:

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Árvore Dos Patafúrdios (1985)

por Paulo Neto

Antes da mítica série "Os Amigos Do Gaspar", já João Paulo Seara Cardoso e a sua equipa tinham criado uma série marcante e bem colorida, cheia de personagens divertidas e para tal bastava um único cenário: uma árvore numa quinta qualquer algures em Portugal, "A Árvore dos Patafúrdios".



Nessa árvore habitam vários pássaros alegres e comilões, os Patafúrdios, que sonham poder ser como as outras aves e voar, mas não o podem fazer por terem grandes barrigas de tanto comerem esparguete. São eles a simpática Eulália (voz de Regina Castro), o sábio ancião Vinte E Quatro (voz de Mário Moutinho) que fala sempre a rimar, a poética Salomé (voz de Ana Queirós) mãe zelosa de três Patafurdinhos (vozes de Catarina Costa e Maria João Pires), Filipe Adão (voz de João Paulo Seara Cardoso) hábil construtor de máquinas, Canelão (voz de Mário Silva) que cultiva o esparguete do qual os Patafúrdios se alimentam e o Murcão (voz de Raimundo Tavares) cujo nome diz tudo. Existem ainda os Bichos da Fruta (vozes de Mário Moutinho e Zé Carlos Meireles) que estavam para a Árvore como o Statler e o Waldorf estavam para os Marretas, sempre a comentar e a fazer troça dos outros.

Eulália

Tomé
Salomé

Vinte E Quatro
Filipe Adão

Canelão
Murcão

Patafurdinhos
Bichos Da Fruta

Mas apesar da vida dos Patafúrdios estar limitada à sua Árvore e o seu redor, havia sempre algo a acontecer e a agitar vida destes bichos. Como aliás se relata na mais famosa canção da série:

Por incrível que pareça
Por incrível que pareça
Não há nada, não há nada
Que não nos acontece
Ó sorte malvada,
Que vida desgraçada!
Ai ai ai
Ai ai ai

Um desses acontecimentos que vem revolucionar a vida dos Patafúrdios é o choque do carro do caixeiro-viajante Tomé (voz de Raúl Constante Pereira) contra o tronco da árvore. Mas depois desse percalço, Tomé torna-se amigo dos Patafúrdios chegando mesmo a iniciar um romance zoófilo (porém puramente platónico) com Eulália.      

Produzida em 1984, a série foi exibida pela primeira vez na RTP entre 17 de Fevereiro e 12 de Maio de 1985, num total de onze episódios (sendo que o último era um resumo de cenas do episódios anteriores), tendo sido reposta diversas vezes. O tema do genérico era cantado por Sérgio Godinho.



A série valeu a João Paulo Seara Cardoso a oportunidade de fazer um curso com Jim Henson, o criador dos Marretas. Consta que Henson terá adorado o estilo naïf da série. Essa workshop foi sem dúvida valiosa para Seara Cardoso que aplicou no seu projecto seguinte: o grande sucesso "Os Amigos Do Gaspar" onde houve pelo menos dois piscares de olhos à "Árvore Dos Patafúrdios": o Tomé surge num dos episódios de "Os Amigos Do Gaspar" e o quarto do Gaspar tinha um planeta terra semelhante ao do genérico da "Árvore dos Patafúrdios".

 

João Paulo Seara Cardoso viria a produzir mais duas séries para a RTP: "Mópi" (1990) e "No Tempo Dos Afonsinhos" (1991, que foi anunciada no especial da RTP sobre a nova grelha para 1991/92). Infelizmente a sua obra nunca mais teve continuidade na televisão, tendo Seara Cardoso dedicado-se exclusivamente ao Teatro de Marionetas do Porto até ao seu falecimento em 2010.

1.º episódio



"Por Incrível Que Pareça"


Nota: Os 11 episódios estão (por) agora disponíveis no "Arquivo RTP": "A Árvore dos Patafúrdios".
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