sábado, 31 de outubro de 2015

X-Men: The Animated Series (1992-1997)



Escrevo estas linhas quando se cumpre 23 anos da estreia de "X-Men" ou "X-Men: The Animated Series" [31 Outubro 1992 - 20 Setembro 1997 ]. Um dos rascunhos mais antigos no arquivo da Enciclopédia, esta é uma das minhas séries animadas favoritas de sempre, não posso actualmente garantir se é ou não um prodígio de qualidade, porque já lá vão uns anos, mas sou desde essa altura - talvez ainda uns anos antes - um grande fã das aventuras em BD dos X-Men, os principais mutantes da Marvel, e era uma delicia ver no nosso ecrã a reprodução (bastante fiel) das mais importantes arcos narrativos da banda desenhada dos heróis, principalmente do período de Chris Claremont, mas com os personagens a usarem o visual e uniformes das histórias contemporâneas, no estilo inconfundível de Jim Lee.



Os X-Men são uma equipa de heróis mutantes. No universo Marvel, mutantes são pessoas que nascem com poderes e habilidades extraordinárias. Estas diferenças causam medo e preconceito na população humana e geram perseguições e até genocídios. Desde o inicio, o sector mutante da Marvel serviu como uma alegoria para denunciar problemas da sociedade como o racismo ou a homofobia, referenciar acontecimentos do passado como o Holocausto, e o ambiente sci-fi e poderes sobre-humanos facilitava a abordagem desses temas sem ser demasiado explícito num país tão puritano.

X-Men Nº 1 (1963)


Os X-Men originais surgiram em 1963, na revista de banda desenhada "X-Men" Nº1. E muito antes dos filmes em imagem real, logo nos anos 60 ganharam vida nos chamados "desenhos desanimados" tal a qualidade da animação de "The Marvel Super Heroes" (1966) [genérico], e nos anos 80 como convidados especiais do Homem-Aranha em "Spider-Man and His Amazing Friends" (1981-83) [vídeo], e ainda como protagonistas do piloto falhado "Pryde of the X-Men" (1989) [Vídeo: Episódio Completo Legendado]. Apesar de não dar origem a mais episódios, foi lançado em VHS e até um jogo de luta em 1992: "X-Men".
O sucesso chegou finalmente com a série de 1992, ampliando até a audiência dos X-Men para fora do círculo de leitores de BD.
O genérico é magnifico, a música inesquecível:


O autor da música, Ron Wasserman, também foi o responsável pelo tema da primeira temporada dos "Power Rangers (1993-...)".



O genérico acima apresenta de uma forma muito dinâmica e concisa os heróis protagonistas:



Cíclope/Cyclops/Scott Summers - O torturado e soturno líder de campo dos X-Men. O seu poder é quase uma maldição que não consegue controlar, sendo obrigado a usar 24 horas um visor ou uns óculos especiais, sob risco de involuntariamente causar grande destruição com as suas rajadas ópticas.



Wolverine/Logan - O anti-herói canadiano que depois de uma longa vida de sofrimento procura redenção. O seu poder principal é o de regenerar qualquer ferida que sofra. Possui um esqueleto artificial e garras feitas do material mais forte do planeta, adamantium.



Rogue/Anna Marie - Criada pela vilã Mystique, Rogue tem a habilidade de absorver poderes e memórias através do toque, o que lhe impossibilita ter uma vida normal. Os outros poderes que exibe - invulnerabilidade, super-força e voo - foram permanentemente absorvidos da heroína Ms. Marvel.



Storm/Tempestade/Ororo Monroe - Depois de uma infância como órfã a viver nas ruas, a vida de Ororo mudou na adolescência com o despertar dos seus poderes de controlo do clima que também lhe permitem voar e disparar relâmpagos, por exemplo.



Besta/The Beast/Henry McCoy - Um génio cientifico que ficou preso num corpo grotesco e coberto de pelos azuis durante uma experiência mal sucedida para remover os poderes de habilidade e força.



Gambit/Henry LeBeau - O galã e cafajeste cajun não perde uma oportunidade de se atirar a Rogue, apesar dos poderes desta impossibilitarem qualquer tipo de relação mais séria. Criado entre ladrões e assassinos, Gambit encontra nos X-Men uma família e a oportunidade de usar para o bem os seus poderes de carregar objectos com uma carga explosiva. Mas apesar de poder aplicar poder a qualquer objecto, as suas armas de eleição são os aparentemente inocentes baralhos de cartas.



Jubilee/Jubilation Lee - Resgatada pelos X-Men no primeiro episódio, a órfã Jubilee é a mais nova do elenco e vê em Logan uma figura paternal com um coração de ouro por detrás dos modos brutos. Sempre a tentar incluir-se nas missões dos adultos, a irreverente adolescente funciona como os olhos do espectador a descobrir um mundo e personagens novas.



Jean Grey - No início da carreira - pelo  menos na BD - Jean utilizava o nome de código Marvel Girl. A  poderosa ruiva tem grandes habilidades telecinéticas e de telepatia. Namorada de Cíclope, é cobiçada por Wolverine. Na terceira temporada Jean é dominada pela personalidade da Fénix Negra, uma força cósmica extremamente poderosa e perigosa.



Professor X/Charles Xavier - Um poderoso telepata preso a uma cadeira de rodas, Xavier fundou os X-Men para lutar pela convivência e aceitação entre humanos e mutantes, parando ameaças a toda a humanidade.
No genérico não surge Morph, o membro dos X-Men aparentemente morto no primeiro episódio que tem a capacidade para alterar a sua forma à vontade. Ao longo das temporadas muitos heróis vão surgindo, incluindo os X-Factor (a versão governamental dos X-Men) e a Tropa Alfa (os homólogos canadianos do X-Factor), e versões envelhecidas vindas de futuros pós-apocalípticos dominado pelos Sentinelas - gigantescos robots caçadores de mutantes. Inspirado pelos arcos "Dias de um Futuro Esquecido" (que já tinha inspirado a saga do "Exterminador Implacável") e "Era do Apocalipse" temos personagens que vieram do futuro para modificar o passado: "Bishop" e "Cable".


Os vilões do genérico liderados no genérico por Magneto (Eric Magnus Lensherr, antigo amigo do Professor X, domina os metais) incluem a "Irmandade dos Mutantes" um grupo de terroristas comandados pela metamorfa Mystique: Pyro, Avalanche e Blob. No decorrer da série surgem vilões como os Morlocks (mutantes deformados que vivem em comunidade nos esgotos), Apocalipse, Sr. Sinistro, Dentes de Sabre, Omega Vermelho, Juggernaut, A Falange, Mojo, etc; além de uma série de cameos ou aparições especiais. A Wikipédia tem uma boa lista dos personagens da série: "List of X-Men (TV series) characters" (em inglês).

O site DRG4 tem uma página dedicada aos erros e correcções efectuadas no episódio piloto: "DRG4's Exclusive X-Men Cartoon Pilot Differences". Por terem sido encomendados à ultima da hora, os seis últimos episódios foram animados por outro estúdio, com um estilo de desenho mais simples. No Japão foram utilizados dois genéricos com um estilo muito distinto do da série:


Interessantes, mas não chegam aos pés do original. Outra curiosidade foi a realização de crossovers com outra série de êxito da Marvel nos anos 90: "Spider-Man" (1994-98) [vídeo].
O site "Saturday Mornings Forever" tem muitas informações interessantes sobre esta marcante série animada: "Saturday Mornings Forever - X-Men The Animated Series".





Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Fábulas da Floresta Verde (1973)

por Paulo Neto

As crianças dos anos 80 tiveram várias ocasiões onde ficaram entregues à bicharada. Isto porque eram várias as séries animadas protagonizadas por animais e onde os humanos pouco ou nada intervinham, como "Bana & Flapi", "Jacky, O Urso De Talac" e "O Panda Tao Tao". Mas pessoalmente, dentro desse rol, a minha série preferida era as "Fábulas Da Floresta Verde", uma série anime japonesa de 1973 e estreada em Portugal em 1985 (na versão americana de 1978) e repetida algumas vezes na RTP nos anos seguintes.



A série era baseada numa série de livros com histórias de animais da autoria do americano Thornton Waldo Burgess e focava nas aventuras de um vasto grupo de animais que coabita na Floresta Verde, situada algures na América do Norte. Nos primeiros episódios, a série era focada numa jovem marmota chamada Joca, que primeiro surge como uma cria a seguir os conselhos dos pais e que depois parte para a sua vida independente, descobrindo as peripécias, os perigos e as alegrias de viver na floresta, com a ajuda de uma marmota fêmea chamada Mara, a primeira de muitos amigos que fará na Floresta Verde. (Na altura em que a série estava a ser exibida na RTP, havia um vizinho de nome João, mais conhecido por Joca, com quem eu brincava na minha rua e uma das raparigas no meu grupo de catequese chamada Mara, pelo que eu imaginava que eram versões humanas dessas personagens, como se essas marmotas animadas se tivessem transformado em miúdos de carne e osso só para conviverem comigo!).

Joca e Mara


Embora Joca e Mara continuassem  a ser os protagonistas relativos ao longo da série e eram muitas vezes aqueles a quem os outros animais recorrem para os ajudar em várias situações, a série rapidamente acabava por dar igual destaque aos outros animais, com cada um a protagonizar um episódio à vez. Alguns desses animais são amistosos como o coelho Pompom, o esquilo Quico, o Avô Rã, o castor Engenhocas, a lontra Zeca, a doninha Faísca, o texugo Gugu, o ratinho Nestor, o rato Tio Rodolfo ou o urso Ursolino. Outros são um pouco irritantes como o gaio Avelar, sempre a avisar os animais da floresta das novidades, sobretudo as mais terríveis para que ele possa repetir: "É terrível! É terrível! É terrível!" e outros são bastante traiçoeiros como o Raposinho, a Avó Raposa, a lontra Tói e o Coiote. É dessa convivência ora pacífica ora tensa entre os diversos animais da floresta, afinal tão semelhante à dos animais da vida real, que se construía a série.

Raposinho
Quico
Pompom
Ursolino
Avelar


Os seres humanos também marcavam presença na história, até porque perto da Floresta havia a quinta do Sr. Silva. Mas essas figuras humanas eram retratadas como seres misteriosos e duvidosos, cuja aproximação não se recomenda, geralmente vistos de costas ou à distância. Provavelmente, da mesma forma como esses animais vêem os humanos. Foram raras vezes que a série mostrou rostos humanos, como o do João, o filho do Sr. Silva. que costuma armar armadilhas para os animais.

"Fábulas Da Floresta Verde" era uma série particularmente colorida e divertida e que não tardou a cativar os mais pequenos. Uma vez mais, teve um excelente trabalho de dobragem portuguesa onde participaram António Feio, Carlos Daniel, Irene Cruz, Isabel Ribas, João Lourenço, João Perry, José Gomes e Luísa Salgueiro. Também teve o seu merchandising que incluía a inevitável caderneta de cromos, bonecos em PVC, calendários oferecidos com os gelados Globo e uma revista de banda desenhada que segundo o site Brinca Brincando, era directamente traduzido da versão espanhola, com o título "Fábulas do Bosque Verde" e nomes de personagens diferentes como por exemplo, o Joca e a Mara a serem chamados de Joãozinho e Joaninha, por causa dos nomes espanhóis Juanito e Juanita. Também foi um lançado um jogo de tabuleiro e mais tarde uma edição da série em DVD.






Mas claro está, um dos aspectos mais memoráveis da série era o tema de abertura que era da autoria nacional, expressamente composto para a série (algo que creio ter sido caso único), com música de Tozé Brito e letra de António Avelar Pinho. Toca a cantar:

É bom ver na floresta o Sol nascer
É bom imaginar o que irá acontecer
São tantas amizades, são histórias de amizades
Que vão nossos amigos animais viver.

São mil aventuras entre os animais
Fabulosas fábulas de encantar
São mil aventuras, são sensacionais
Fabulosas fábulas que nos fazem sonhar
Que nos fazem sonhar
Que nos fazem sonhar...

Genérico:


Versão completa do tema do genérico:



Episódio 24: "Mara Escapa Por Pouco"


Episódio 47 "A Vaidade do Avelar"


    

         

Sugus - 10 mil prémios (1983)


Meses atrás publiquei nas páginas da Enciclopédia uma publicidade aos caramelos "Sugus" de 1981. A de hoje é dois anos mais nova, com um desenho muito semelhante, mas com o aliciante "pormenor" de anunciar 10 mil prémios!

E para ser o vencedor destes prémios bastava comprar embalagens de Sugus, verificar o prémio incluído na etiqueta interior e enviá-la num postal até 30 de Junho de 1983. Segundo a ilustração e o texto que a acompanha, os prémios incluíam: "Mini Game vira +1 Sugus", cartas de jogar e casinhas Sugus. (pelo desenho a casinha parece ser aparentada às peças de LEGO).

Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 56, de 1983. 

Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

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terça-feira, 27 de outubro de 2015

007-GoldenEye (1995)

por Paulo Neto

Nos anos 90, ao fim de trinta anos, a saga cinematográfica 007 continuava a ter muitos fãs mas chegava uma encruzilhada. Primeiro, porque o mundo entretanto tinha mudado bastante desde o último opus "Licença Para Matar" (1989), com a queda do muro de Berlim e o colapso da União Soviética, pelo que já não fazia sentido ter James Bond a limpar o sebo a uns quantos "camaradovskis". Depois porque estávamos nos períodos em que os blockbusters de acção eram cada vez mais sofisticados e não faltava quem questionasse se a personagem ainda seria relevante no mundo moderno e se não seria melhor deixá-la ficar como relíquia do passado. Por fim, porque os cinco filmes da saga nos anos 80, protagonizados por um já bem veterano Roger Moore e depois por um competente mas pouco carismático Timothy Dalton (para além do título não oficial "Nunca Mais Digas Nunca" onde Sean Connery fazia de um James Bond na pré-reforma), foram bem recebidos mas não inspiravam a mística dos filmes das décadas anteriores. A produção para o terceiro filme protagonizado por Timothy Dalton, o último do seu contracto, iniciou-se em 1990, mas por entre estas questões e várias disputas legais que surgiram entretanto, acabaram por adiar o projecto, e Dalton renunciou oficialmente ao papel de Bond em 1994.



Como tal, para assegurar a continuidade do sucesso da saga, foram precisas várias mudanças. Mas quando "007-GoldenEye" estreou em 1995 e renovou o interesse na saga, quer nos fãs convictos quer entre uma nova geração, as dúvidas foram dissipadas. O filme, realizado por Martin Campbell, marcou a estreia de Pierce Brosnan como o quinto actor no papel de James Bond. Entre outras novidades, contava-se Judi Dench como a primeira mulher no papel de M e Samantha Bond como a nova Miss Moneypenny. Já Desmond Llewynn desempenhou o papel de Q pela décima quinta vez. Quanto às duas Bond Girls, a escolha recaiu em duas desconhecidas beldades europeias: a holandesa Famke Janssen e a sueca de origem polaca Izabella Scorupco. E o vilão era nada menos que o agente 006, interpretado por Sean Bean.



No filme, James Bond investiga a associação criminosa Janus, nome pelo qual o misterioso líder é conhecido. Um dos mais temíveis membros do grupo é Xenia Onatopp (Janssen), uma antiga agente da força aérea soviética de origem georgiana, uma mulher literalmente fatal, que tem especial prazer em matar as suas vítimas asfixiando-as com as suas pernas. Onatopp e seus cúmplices atacam uma centro espacial na Sibéria para se apoderarem do controlo dos satélites GoldenEye, que na verdade são umas armas clandestinas desenvolvidas pela União Soviética. O centro espacial é atacado por um dos satélites sob o controlo de Onatopp onde os únicos sobreviventes são a programadora Natalya Simonova (Scorupco) e o seu chefe Boris Grishenko (Alan Cumming), que se revela um cúmplice de Janus. 
Em São Petersburgo, Bond descobre que Janus é Alec Trevelyan (Bean), o ex-agente 006 do MI6 e seu antigo amigo, que tinha supostamente morrido numa missão com Bond em Arkhangelsk, na sequência inicial do filme. Trevelyan pretende atacar o Reino Unido por quem culpa pela morte dos seus pais e causar um colapso financeiro global roubando o Banco de Inglaterra. Com a ajuda de Simonova, a quem obviamente lança o seu mítico charme, Bond persegue Trevelyan e Grishenko até Cuba para impedir o ataque do segundo satélite.



"007-GoldenEye" (o nome da propriedade jamaicana onde Ian Fleming escreveu muitos dos seus livros da série James Bond) foi um sucesso, contribuindo para a revitalização e relevância da saga 007. O desempenho de Pierce Brosnan foi elogiado por trazer uma dimensão mais psicologicamente profunda à personagem sem perder o humor e o jeito para o engate que a caracterizam. E claro, o público feminino de todas as idades não ficou indiferente ao bom aspecto do actor irlandês, então com 42 anos. Por exemplo, a minha mãe, sempre que via Brosnan na televisão ou nas revistas, dizia sempre "Olha o giraço!".  
Portugal também não escapou a todo o hype que rodeou a estreia do filme. A TVI exibiu a série "Remington Steele" que Brosnan protagonizara nos anos 80 (com o infeliz título de "Quase Modelo, Quase Detective") e a SIC exibiu todos os filmes da saga 007 por ocasião das estreias quer no cinema quer na televisão, creio que em 1997.



Outra célebre marca dos filmes da saga é o tema da abertura. E para "007 - GoldenEye", a escolha foi mais uma vez certeira com Tina Turner a interpretar o tema homónimo, escrito por Bono e The Edge dos U2. Outra inovação foi a criação de um jogo de vídeo inspirado no filme, lançado em 1997 para grande aceitação do público e da crítica, tendo sido o terceiro jogo mais vendido de sempre para a Nintendo 64 e ainda hoje visto como uma das grandes referências dos "shooter games".



E o que é feito das duas Bond girls? Ao contrário do filme, a vilã é que levou a melhor com Famke Janssen a ter o seu papel mais célebre como Jean Grey dos filmes da saga X-Men, para além de também deixar a sua marca nos filmes da trilogia "Taken" e na série "Nip/Tuck". Quanto a Izabella Scorupco, entrou em "Limite Vertical", "Reino De Fogo" e "O Exorcista: O Princípio" mas embora ainda resida nos Estados Unidos, desde 2007 que a sua carreira voltou a ser baseada na Suécia.

Trailer:



Tina Turner "Goldeneye"

Videoclip:


Sequência de abertura:



Abertura do jogo de vídeo:



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Madi - "Lição de Português" (1980)



Enquanto navegava pela Internet deparei com um artigo no Facebook da Lena D'Água dando conta do falecimento do cantor sul-africano Madi (de 70 anos de idade) que foi concorrente a representar Portugal na Eurovisão, alcançando o terceiro lugar no Festival RTP da Canção de 1980, com o tema "Lição de Português".  Lena D'Água também adianta que ela e Lara Li fizeram as os coros dessa actuação.
Madi Nelson, segundo o JN, faleceu de leucemia na sua terra natal,  Johanesburgo, em 22 de Outubro de 2015. O jornal adianta um pequeno lamiré da vida do artista, que também conseguiu alguma notoriedade como integrante do duo "Sérgio e Madi", em conjunto com Sérgio Wonder (nome artístico do moçambicano Fernando Manuel):

"Madi surgiu na cena musical moçambicana em 1969, com Sérgio Wonder, participando em vários espetáculos, sendo posteriormente o duo convidado para atuar em Lisboa.
Entre outros discos, o duo gravou um single com versões de "Reconsider me" e de "Look what you"ve down to my heart", e um outro com "A não ser que", "Espadas nuas" e "My only one". Depois de um percurso que se cruzou com várias bandas, o duo gravou o single "Cry to me", que conheceu edição internacional."
A Wikipédia acrescenta mais alguns detalhes sobre a dupla: "Sérgio e Madi".

Regressando ao inicio do texto, ao ler a noticia recordei imediatamente que tenho o single dessa canção na minha colecção de discos de vinil de há alguns meses a esta parte. Vasculhando no arquivos, apresento as capas.

A capa frontal:

A estilosa capa traseira, com os créditos:

Na Face A, "Lição de Português", um tema a meio caminho caminho entre a canção de amor e um canção da Rua Sésamo sobre as peripécias de aprender uma língua nova - português, no caso deste sul-africano - para declarar o amor.

O vídeo da participação no Festival RTP da Canção de 1980, apresentado por Ana Zannatti e Eládio Clímaco, "Madi - Lição de Português":


A canção número 4, com letra de António Sala, música de Luís Pedro Fonseca, orquestração de Fernando Correia Martins, conforme os créditos na capa traseira do single de vinil [foto acima]. No disco, Luís Pedro Fonseca surge como o responsável a solo do tema da Face B  e dos arranjos base e coros. A produção esteve a cargo de António Sala.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Não Se Esqueça Da Escova De Dentes - parte 2 (1995-1996)

por Paulo Neto

O David Martins já falou aqui sobre este célebre programa da SIC que marcou a televisão dos anos 90. Mas sendo um programa tão mítico e cheio de situações surpreendentes, merece ser abordado de novo aqui na Enciclopédia.



"Não Se Esqueça Da Escova De Dentes" era uma adaptação de um original britânico, "Don't Forget Your Toothbrush", foi exibido na SIC em duas temporadas entre 1995 e 1996, apresentado por Teresa Guilherme, assistida por Humberto Bernardo e por vezes também por uma petiza chamada Patrícia Calado que não devia ter mais de dez anos. Até então, embora já tivesse anteriormente apresentado concursos na SIC como "Labirinto" ou "Destino X", foi este programa que afirmou Teresa Guilherme como apresentadora de entretenimento já que então ainda era mais conhecida pelos talk-shows "Eterno Feminino" e "Olha Que Dois" na RTP e "E O Resto É Conversa" já na SIC.




O título aludia ao facto de um dos objectos mais esquecidos em casa quando se vai de viagem é a escova de dentes. O prémio final era portanto uma viagem, que qualquer um dos pares concorrentes presentes na assistência (com escovas de dentes nas mãos) estavam habilitados a ganhar na recta final do programa. Consoante o êxito ou o fracasso dos concorrentes no quiz final, estes seguiam directamente viagem numa limusina ou para um cobiçado destino internacional ou para uma localidade portuguesa de nome semelhante (por exemplo: Rio de Janeiro ou Rio Maior, Seychelles ou Seixal, Costa Rica ou Costa da Caparica). Era recorrente ao longo do programa, Teresa Guilherme perguntar à audiência "Para onde querem ir?" ao que respondiam em uníssono o destino paradisíaco, para depois TG perguntar "Para onde é que não, não querem ir?" e a resposta unânime era o destino nacional. Por aquilo que eu recordo, acho que só por duas vezes é que o par contemplado acabou por viajar em solo nacional.




Mas obviamente que em cada semana, até chegar a esse quiz final, tudo podia acontecer. Aliás outro gag recorrente do programa era Teresa Guilherme surgir em palco em cada programa de uma forma diferente: de pára-quedas, de tractor, numa empilhadora, num carro de bombeiros, numa marcha popular, no trenó do Pai Natal e por aí fora.

Claro está, o momento mais icónico do programa foi aquele em que um jogo onde os concorrentes tinham de tirar uma peça de roupa em jeito de leilão com a melhor oferta a levar uma mala com 300 contos (cerca de 1500 euros) terminou com dois homens completamente nús e uma mulher em topless. Uma situação que espantou toda a produção sobretudo Teresa Guilherme, que viria a declarar mais tarde que nem na mais mirabolante das hipóteses imaginou que a ousadia dos portugueses iria chegar a tal ponto. Até porque segundo a mesma, na versão britânica do concurso, a vitória nesse jogo e o máximo da ousadia tinha ido para uma mulher que tinha retirado o soutien sem despir a camisa. A partir daí, depois de transposta essa barreira tão nua e crua, surgiram mais jogos ao longo das duas temporadas onde outros concorrentes também se viram em pelota para ganhar algum prémio. 

Além do quiz final, a rubrica mais recorrente do programa era o quiz Superfan, onde o convidado musical de cada programa competia com um dos seus maiores fãs. A maioria das vezes os fãs acabavam por saber mais coisas dos ídolos que os próprios. Outro hábito do programa era o convidado musical cantar duas canções: uma do seu repertório e uma versão de uma canção que não a sua. Recordo-me sobretudo de Simone De Oliveira ter-se atirado ao "Without You" de Harry Nilsson, na altura repopularizado por Mariah Carey. E no YouTube, temos Carlos do Carmo a dar uma de Sinatra e a interpretar "I've Got You Under My Skin". De referir ainda que nos coros da banda residente do programa liderada por Armindo Neves, estavam uns ainda pouco conhecidos Beto e Lúcia Moniz (esta alternando com Fernanda Lopes).

Outro gag recorrente do programa consistia em destruírem objectos muito queridos de alguns concorrentes como mobílias, instrumentos musicais ou até carros para no fim oferecerem uns substitutos novinhos em folha. Mas como conta Teresa Guilherme no seu livro "Isso Agora Não Interessa Nada", que reúne as suas crónicas para a revista TV Guia sobre memórias e segredos por detrás programas que produziu e apresentou, uma dessas situações foi particularmente dramática: um Sr. Asdrúbal hesitava bastante em aceitar o desafio de poder vir a perder o seu querido barco que tinha o nome dos filhos e só a muito custo aceitou, para no fim ver o seu barco acabar à machadada e afundado no lago do Campo Grande. O que o Sr. Asdrúbal e os telespectadores não sabiam é que o afundamento do barco tinha acontecido em diferido, antes da gravação do programa, partindo do princípio que a aceitação do desafio era garantida. Mas ao ver aflição do homem, a produção percebeu que tinha ido longe demais. Não só o Sr. Asdrúbal ganhou um barco novinho em folha como, arrependida da amargura dessas favas contadas, Teresa Guilherme fez questão em mandar restaurar o antigo.

Recordo-me também de um programa feito ao contrário que começou com todos a cantarem a música do final do programa e acabou com uma das entradas de Teresa Guilherme, sendo que pelo meio todos os concorrentes acabaram por ganhar uma viagem além de vários jogos feitos ao contrário do que era habitual. Houve também outro programa tipo "Ponto de Encontro" onde para além de prémios, promoveu-se o reencontro entre concorrentes e seus ente-queridos afastados pela distância, culminando num reencontro entre Sara Tavares, a convidada musical dessa semana, e o seu pai, radicado nos Estados Unidos, que já não via há largos anos.

Mas para mim, o momento mais bizarro de sempre do programa não envolveu ninguém a tirar a roupa mas sim gente que vestiu outra pele. Foi no episódio especial de Natal com um jogo que reunia oito concorrentes com nomes de figuras do presépio: um José, uma Maria, um Jesus, um Gaspar, um Baltasar, um Belchior e duas senhoras de apelido Ovelheira e Vacas. Primeiramente estas pessoas foram convidadas a vestir alguns adereços para formar um presépio vivo e depois reunidas para jogar um jogo em que tinham de apanhar uma enorme bola azul de borracha, a simbolizar o espírito de Natal. Quem ficasse com a bola ao fim de noventa segundos ganharia uma viagem a Belém, no estado do Pará no Brasil. Mas o que aconteceu a seguir foi surreal. Assim conta Teresa Guilherme no livro "Isso Agora Não Interessa Nada" sobre esse episódio:

"Só que não foi só o relógio que arrancou. Do outro lado do estúdio, as figurinhas do presépio também arrancaram na minha direcção, com esgares pouco natalícios. Eu, receando ser trucidada, escapei-me do palco.
A bola, que no ensaio tinha resistido a tudo e a todos, nas mãos da sagrada família não durou um segundo. Rebentou e dividiu-se em vários pedaços de borracha, esses sim, a roçarem o indestrutível. E o quadro que era para encher os nossos corações de amor, encheu o palco de pancada. 
Nossa Senhora batia no Menino Jesus para lhe arrancar um bocado de borracha azul. Belchior e Gaspar, os reis magos, pegaram-se numa real tareia com golpes de judo à mistura, enquanto seguravam com uma força sobre-humana o mesmo pedacinho de borracha. E, horror dos horrores...Baltazar arrastou S. José pelas barbas, de um lado ao outro do palco, porque o pai do Menino Jesus tinha mordido um bocadinho de bola, a que o rei mago queria também ferrar o dente. (...) 
No fim dos noventa segundos, muito a contragosto, lá resolvi a questão. Como castigo, ninguém deveria ter ido viajar, mas como era Natal todos ganharam uma semana em Belém do Pará. Um bicho do presépio, que até não se tinha portado tão mal, deu o toque natalício final a este quadro de horror, arrancando-me o microfone da mão e, quase num grito de guerra, disparou: "É a primeira vez na minha vida que não me importo de me chamar Vacas!" Era o bafo quente que nos faltava para aquecer o Natal do nosso descontentamento..."






Pelos vistos nem mesmo o espírito natalício conseguia refrear o espírito competitivo dos portugueses. 

Como também é sabido, no final de cada programa (excepto aquele já referido que foi feito de trás para a frente), TG, Humberto Bernardo, o convidado musical, os cantores da banda e todos na assistência cantavam a uma só voz o tema do concurso, que era uma adaptação do tema "Angel Eyes" dos ABBA. Eis aqui a letra para recordar: 

São férias para quem quiser.
São férias, aaaah!

Foi bom o programa das viagens
Da loucura, das imagens,
Das partidas, das miragens, 
Das perguntas que nos fazem confusão
Venha cá, com a escova
E o passaporte sempre à mão
Vai saber se o destino é bom ou não...

Com a escova de dentes vai
Malas, passaporte, e sai
Seja Bali ou Beja, Aveiro ou Hawai.
Com a escova de dentes vai
Malas, passaporte, e sai
Ora vou-me embora
Adeus, bye-bye

Foi bom o programa da loucura,
Da alegria e da ternura,
Do fascínio, da lonjura,
Onde o sonho é aventura de amanhã
Escutou boa música e o duelo que animou
Ahaa, convidado e super-fã.

Com a escova de dentes vai
Malas, passaporte, e sai
Seja Bali ou Beja, Aveiro ou Hawai.
Com a escova de dentes vai
Malas, passaporte, e sai
Ora vou-me embora
Adeus, bye-bye

Promo ao programa (1995):



Programa exibido a 23-5-1995:
(convidada musical Simone de Oliveira)




      

Ficheiros Secretos - The X-Files (1993-2002, 2016)




"The X-Files" no original, traduzido para "Ficheiros Secretos" em Portugal (e mais literalmente "Arquivo X" e "Expediente X", no Brasil e Espanha, respectivamente). Sempre tive pena de cá não terem mantido o icónico "X" no título. Muitas vezes desenhei eu o símbolo da série nos cadernos e livros da escola.... Tanto já foi escrito sobre este fenómeno televisivo, que reacendeu o interesse do público sobre os eventos estranhos, misteriosos, e conspirações de todo o tipo, que mais de uma década desde o final dos episódios ainda suscita curiosidade. A dupla protagonista foi elevado ao estrelato global, e no nosso país marcou o período de ouro da TVI, época em que além dos "Ficheiros Secretos" o canal exibia séries de qualidade em horário nobre ("Pretender", "Profiler", etc), antes de se render aos reality shows e telenovelas.

O tema da série descreve-se facilmente: Os agentes do FBI Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) estão encarregues de investigar os mais variados casos sem explicação, os "X-Files". Mulder é crente em todo o tipo de explicações sobre-naturais e Scully é a contra-parte que analisa os casos de forma cientifica.

No inicio da série o trabalho de Scully é manipulado para desacreditar as teorias de Mulder e rapidamente encerrar os casos. Mulder suspeita que Scully o esteja a vigiar, mas rapidamente a relação profissional  dá lugar à amizade e ao inevitável envolvimento romântico à medida que as temporadas decorrem. Também ao longo dos episódios, entremeado com a base do "monstro da semana" (de origem sobre-natural ou fenómenos pseudo-científicos), corria uma trama paralela de uma maior conspiração que envolvia extra-terrestres e o governo dos EUA, o antigo desaparecimento da irmã de Mulder, o rapto e gravidez relâmpago de Scully, etc, bem como o papel de figuras nebulosas como o pai de Mulder (Peter Donat) e do Canceroso (William B. Davis) nesses acontecimentos. Outros personagens recorrentes incluíam o superior hierárquico da dupla, Walter Skinner (Mitch Pileggi) que lida com a pressão de proteger os agentes e manter o X-Files abertos contra interesses poderosos; o assassino Krycek (Nicholas Lea); os enigmáticos "Garganta Funda" (Jerry Hardin) e "X" (Steven Williams) constantes fontes de informação, desinformação e manipulação. Uma série tão longa - algo inusitado para o género ficção-cientifica/sobrenatural - obviamente tem muito mais personagens do que é possível mencionar aqui sem provocar sono no leitor. Mas quero destacar John Doggett (Robert Patrick, o eterno T-1000 de "Exterminador Implacável 2" - que entrou em cena curiosamente na época em que comecei a ver os episódios intermitentemente, sem a paixão anterior) o novo parceiro de Scully na 8ªa temporada, com a missão inicial de encontrar Mulder depois do desaparecimento deste. Numa inversão de papéis, Doggett é o novo céptico da dupla, visto que Scully testemunhou tantos casos estranhos (fantasmas, mutantes, monstros, inteligência artificial, extra-terrestres, etc) ao longo dos episódios que se tornou uma "crente relutante". A Wikipédia refere ainda que apesar da resistência dos fãs ao "substituto" de Mulder - que regressou mais tarde como um protagonista intermitente - os críticos gostaram da abordagem mais séria e Robert Patrick até foi premiado pelo papel.

E para assinalar a chegada dos "Ficheiros Secretos" à RTP Memória - antes dos novos episódios de Janeiro de 2016 - fui vasculhar os meus próprios ficheiros "secretos", ou seja, os recortes e páginas de revistas relacionadas com a série e o culto. Além de material dos X-Files, fiquei abismado com a quantidade de recortes de temas do "oculto" que coleccionei, inspirado pelas aventuras de Mulder e Sculy. Mas esses, são outra história! 

Tenho também bastantes cassetes de VHS com os episódios gravados. No entanto, foi de uma cassete adquirida recentemente numa feira que consegui o seguinte vídeo.
O icónico genérico de abertura, no Canal EnciclopédiaTV. Recordem o inconfundível tema musical composto por Mark Snow:


A qualidade de imagem do vídeo não é dos melhores, mas podem ver mais ou menos como era para mim assistir aos episódios na TV, visto que durante muitos anos a qualidade de recepção do sinal da TVI na minha zona era muito má, cheia de moscas, desde que construíram um prédio nas redondezas- até ao surgimento da TDT.









Devemos ainda a "Ficheiros Secretos" expressões como "A verdade está lá fora" ("The Truth Is Out There"), "Quero Acreditar" ("I want to believe"), "Não confie em ninguém" ("Trust no one") que entraram para a cultura pop e quotidiana.

Alguns dos meus episódios favoritos ou que recordo melhor incluem "X-Cops" filmado como um episódio da série "Cops" que acompanha agentes da autoridade. A ameaça desse episódio não são assaltantes de bancos mas um monstro que mata as vítimas com o próprio medo. Outros são: "Pilot", "Squeeze" (a primeira aparição de Tooms), "Jose Cheung's  From Outher Space", "Home", "Tunguska - Part 1", etc.

Apesar da decadência dos últimos anos, a saída do protagonista masculino, "Ficheiros Secretos" conseguiu ultrapassar a marca dos 200 episódios, estendidos por 9 temporadas. Começou como um êxito no nicho dos espectador de ficção-cientifica, mas em pouco tempo conseguiu alcançar o grande público.
A caixinha da televisão era pequena para conter todo o fenómeno e transbordou para todo o tipo de merchandising - da banda sonora, a livros, etc - e dois filmes: "The X-Files: Fight The Future" (1998) e "The X-Files: I Want To Believe" (2008). Se o primeiro - encaixado entre as 5ª e 6ª temporadas - era basicamente um competente episódio com maior orçamento e melhores efeitos especiais, achei o segundo francamente mau. Além das incursões no cinema, em 2001 estreou o spin-off (derivado) "The Lone Gunmen", protagonizado pelo peculiar trio de teóricos da conspiração que já conhecíamos de vários episódios. Actualmente a série - de curta duração, com 13 episódios produzidos - é recordada pelo episódio piloto em que antecipou quase ao milímetro o atentado do 11 de Setembro [vídeo] causado por uma conspiração do Governo dos EUA para enviar um avião de passageiros contra as Torres Gémeas dar impulso à indústria de armas. Qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência? Melhor sorte teve outra série anterior do criador Chris Carter, "Millenium" que alcançou 67 episódios ao longo de três temporadas entre 1996 e 1999. Entre nós, a RTP exibiu-a já depois do final nos EUA.


Vamos então passar a alguns dos recortes que andam no arquivo cá de casa, e decerto vão render outros posts. Começo por uns scans que fiz lá para 2001, das minhas adoradas edições brasileiras da revista Wizard, que além de BD dedicava espaço a filmes e séries de culto.

Podem clicar sobre as imagens para as aumentar de tamanho e ler melhor.


"Abrindo o Arquivo X" - Artigo de 4 páginas com depoimentos do criador e argumentista Chris Carter e os protagonistas [in "Wizard" Nº1, 1996]::

"Arquivo X (...) já está em seu terceiro ano e criando um furor internacional que rivaliza com o início da mania de Jornada das Estrelas. A série também gerou um grupo de fanáticos usuários da Internet conhecidos como X-Philes (...) As pessoas têm demorado para descobrir o seriado, mas os fãs e as pessoas ligadas à produção do mesmo admitem que seus dias de cult series estão contados."
"(...) uma aura pegajosa, sombria e paranóica, que faz os momentos mais extremos de Twin Peaks parecerem normais".
"Eu queria ter histórias sobre transmorfos e comedores-de-fígado, mas a questão dos OVNIS sempre estaria espreitando, mesmo não sendo o plot principal." "Se as vidas dos personagens se tornarem o elemento principal da trama, acho que não estaremos fazendo um bom trabalho".
"As possibilidades para esta série são ilimitadas, tão ilimitadas quanto a imaginação dos escritores."
"A Verdade está na Internet" [in "Wizard" Nº1, 1996]:

Artigo sobre a presença da série na Internet, que na altura ainda era terreno inexplorado para a maioria da população mundial:



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