terça-feira, 28 de junho de 2016

Os Patinhos (1999-2005)

por Paulo Neto

Ao longo das décadas, houve várias cantigas em que a televisão mandava as crianças irem fazer óó. Dos os Meninos Rabinos e o Topo Gigio nos anos 60 e 70 até ao inevitável Vitinho nos anos 80 e 90 (recordo-me também de "Quando o Sono Espreita" com personagens dos desenhos animados de "O Ouriço" e cantada por Eugénia Melo e Castro nos idos de 1990), foram diversas as cantilenas com que a RTP convencia as crianças a irem para a caminha. Mas no final do século XX, parecia que essa era uma tradição passada e a haver uma nova canção com bonecos animados, dificilmente seria capaz de se tornar tão mítica como os opus do Vitinho.



Mas em 1999, essas suposições foram simplesmente deitadas por terra, quando nesse ano, um pequeno filme de minuto e meio que conquistou miúdos e graúdos.
Numa grande sala de espectáculos, um simpático patinho cantava de olhos fechados e em bicos de pés uma variante da célebre canção infantil "Todos os patinhos sabem bem nadar", mas com a letra adaptada à hora de dormir.




Todos os patinhos acabam de brincar
Acabam de brincar
Os pijamas vão vestir e os dentes vão levar
Os pijamas vão vestir e os dentes vão levar

É que esta hora é hora de ir dormir
É hora de ir dormir
Mas ainda há tempo para uma história ouvir  
Mas ainda há tempo para uma história ouvir

Pais, mães ou avós, à cama lhes vão dar
À cama lhes vão dar
Um beijo de boa noite e a luz apagar
Um beijo de boa noite e a luz apagar

Enquanto o patinho cantava, três patas bailarinas dançavam ballet trajadas com toda a toilette de dormir e um pato verde tocava xilofone até ser levado de palco com uma bengala. (A provar que isto do politicamente correcto não é só de hoje, recordo-me da altura haver quem se queixasse da violência dessa parte.)

Produzido pela produtora Animanostra, o filme foi realizado por Rui Cardoso, que também criou as personagens. A voz do Patinho era de Teresa Sobral, actriz conhecida pelos seus trabalhos em programas infantis da RTP como por exemplo, "Juventude E Família" onde foi Maria Bliskova, a amiga eslava do Lecas. A curta-metragem foi originalmente concebida para o programa "O Jardim Da Celeste", onde se cantava a música original, (chegou mesmo a ser exibida uma versão onde as patas bailarinas apareciam de fato de banho em vez de camisa de dormir), mas Teresa Paixão, então directora da programação infantil da RTP, propôs que fosse adaptada como uma nova canção para dar as boas-noites aos telespectadores mais pequeninos.








Embora eu esteja em crer que não seriam muitas as crianças, pelo menos com mais de cinco anos, que iam-se deitar após a exibição diária dos Patinhos, até porque costumava dar bastante cedo (por vezes até antes do Telejornal), a qualidade da animação e dos bonecos conquistou tudo e todos. Em 2000, saiu o primeiro disco que continha não só a canção do filmezinho como versões de outras imortais cantigas infantis, que vendeu que nem pãezinhos quentes e que gerou mais discos. Aliás, tem sido apontado como o disco que ressuscitou o interesse do mercado discográfico nacional no público infantil.







Para além dos discos, os Patinhos tiveram um vastíssimo merchandising: bonecos de PVC, peluches, roupas, cortinados, lençóis, mochilas, DVDs, material escolar, livros de colorir e um suplemento destacável na revista de domingo do Correio da Manhã. 

Além do filme original, também passaram na RTP outros filmes com as mesmas personagens, nomeadamente um que se passava numa feira e onde era cantada uma versão da "Minha Machadinha" e outro de temática natalícia. Com os diversos filmes, os Patinhos marcaram presença no pequeno ecrã até 2005.





Mas não se pense que os Patinhos foram um sucesso somente junto da criançada. Por exemplo, na altura era uma das canções obrigatórias no repertório dos caloiros durante as praxes académicas e há relatos de discotecas onde a música era tocada quando era hora de encerrar o estaminé.  


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