segunda-feira, 17 de julho de 2017

RoboCop - O Polícia do Futuro (1987)

O ano era 1987. O ano em que o Porto ganhou a sua primeira Taça dos Campeões, Ayrton Senna venceu o Grand Prix do Mónaco, os U2 lançam o álbum "Joshua Tree" e Michael Jackson "Bad", Portugal e a China chegavam a acordo sobre a mudança de Macau para mãos chinesas, nasciam Maria Sharapova e Aaron Carter, morreu Andy Warhol e Dalida; e a população do planeta Terra alcançou os 5 mil milhões.

O ano em que uma pedrada atingiu o charco da sétima arte. Não vou falar dos hábitos intoxicantes das estrelas de Hollywood, mas de um clássico do cinema de acção : "RoboCop", do realizador holandês Paul Verhoeven ("Desafio Total", "Instinto Fatal", "Starship Troopers").


Na minha opinião um dos melhores filmes de acção de sempre, com forte componente de sátira e crítica social. Este post estava em rascunho quase desde o começo da Enciclopédia de Cromos.
A sinopse é rápida: Alex Murphy (Peter Weller, de "As Aventuras de Buckaroo Banzai na 8ª Dimensão"), pai de famíla e um bom polícia, é brutalmente assassinado pela escória criminosa que assola a cidade de  Detroit num "futuro próximo" (na época). O que resta do seu corpo é reconstruído pela omnipresente corporação OCP como um organismo cibernético, meio homem, meio máquina, nascendo assim o "polícia do futuro". Mas nem tudo é diversão e rebentar testículos de meliantes: aos poucos RoboCop começa a recuperar as memórias de Murphy e até tem que combater a sua programação para eliminar os seus assassinos e os cúmplices na OCP.


Conta a lenda, que a ideia para o filme surgiu de uma inversão de "Blade Runner: Perigo Iminente", em que um humano* caça robots, e que o design original era uma cópia do personagem de culto Judge Dredd, um polícia humano mas inflexível como uma máquina. O filme é uma hábil mescla de ultraviolência, acção, crítica social, humor negro e questionamentos sobre a relação homem-máquina. Pode um polícia massacrado por um gang ser refeito num corpo cyborg para ser o agente de autoridade perfeito e obediente? Ou a consciência de um homem bom pode ultrapassar o código da programação, e transformar uma máquina em algo mais?

Em Portugal estreou a 23 de Outubro de 1987, com a classificação para "Maiores de 18 Anos", e bem, tal o nível de ultraviolência da fita. A atenção que lhe foi dada no "Diário de Lisboa" foi tão grande que nem lhe deram a pontuação em "estrelas" ou uma crítica além de parte da frase de promoção: "Meio Homem, Meio Máquina, Todo Polícia!".

"Diário de Lisboa" [23-10-1987]

O anúncio ao filme em formato VHS, é claro:

"Diário de Lisboa" [01-04-1989]


Há alguns anos participei no Podcast "VHS" dedicado ao "RoboCop", podem ouver aqui:



Ao filme seguiram-se duas continuações - "Robocop 2" e "RoboCop 3" em qualidade descrescente, um remake em 2014, "RoboCop"; adaptações a banda desenhada, videojogos (consta que a versão para ZX Spectrum era das melhores) e claro: "Robocop: The Series" (1994) e "RoboCop: Prime Directives" (2001) as séries de imagem real. 

Existiram até desenhos animados para os mais novos: "RoboCop: The Animated Series" (1988) e "RoboCop: Alpha Commando" (1998-99)!

A banda sonora este a cargo do mestre Basil Poledouris ("Conan e os Bárbaros", "Starship Troopers", "A Lagoa Azul", entre outros). Está inteira no Youtube: "RoboCop".

* Este aspecto depende da interpretação de cada espectador ou das várias versões do Blade Runner que existem...


sábado, 15 de julho de 2017

Maia & Borges - Anúncio de Natal (1985)


Uma empresa nacional mítica como a "Maia & Borges" - em actividade desde 1976 - merece um cromo especial bem mais extenso, mas por enquanto ficamos com este pequeno anúncio de meia página numa revista Disney de 1985, que foi ilustrado com as figuras do Donald, Mickey e Pateta - escolhidos do extenso catálogo da empresa responsável por tanta colecção de PVC que fez as delicias da geração que cresceu nos anos 80 [Heidi, Abelha Maia, Dartacão, etc] - com a temática do Natal, que estava à porta quando esta revista foi colocada no mercado.

Além da foto dos pequenos PVCs, o logotipo da empresa - ainda hoje em uso - e no fundo a informação:
"Especializados em figuras de plástico PVC pintadas (Não Tóxicas) - Produtores e Exportadores - Telefone 9482962 - Telex 22844 - MAIBOR P NOGUEIRA - 4470 MAIA".



Imagens digitalizadas da revista "Disney Extra" Nº 4 (29/11/1985) e editadas por Enciclopédia de Cromos.
Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

domingo, 9 de julho de 2017

Tron (1982) A Estreia em Portugal




No começo da Enciclopédia recuperei um artigo do meu blog CINE31 sobre este clássico da sci-fi dos anos 80 e que só na altura que o escrevi visionei pela primeira vez "Tron" ("TRON" na grafia original), apesar de há muito ler sobre ele e a revolução que foi para os efeitos especiais no cinema: "Tron" (1982) - Enciclopédia de Cromos. Mais tarde acrescentei no post um video que gravei de uma cassete VHS, aquando da sua exibição na Primeira Matiné em 1991. Tenho na minha colecção um pequeno livro para os mais jovens, que era acompanhado de uma cassete audio. Conto brevemente passar o livro no scanner e juntá-lo ao acervo da Enciclopédia.



Se a estreia americana foi em 9 de Julho de 1982, em plena época dos blockbusters, em Portugal a estreia foi no dia 16 de Dezembro de 1982, já com a pequenada em Férias de Natal. Digo pequenada, visto que era um filme da Disney - em imagem real, mas da Disney - que no entanto estreou com o carimbo "Não aconselhável a menores de 13 anos". Creio que apesar da crescente popularidade dos computadores pessoais e videojogos, boa parte do público - com menos ou mais de 13 anos - não terá percebido todas as metáforas e simbolismos da linguagem informática que permeiam o filme, uma aventura dentro de um computador.

A estreia na capital, no cinema "Monumental":


"Diário de Lisboa" [16-12-1982]
No suplemento "Sete Ponto Sete" do "Diário de Lisboa", "Tron" foi brindado com 2 estrelas, como "Poltergeist" ou "Annie" por exemplo. Curiosamente, a primeira aventura de Indiana Jones, "Os salteadores da arca perdida" foi pontuado com 3 estrelas (Bom) e "E.T. - o Extra-Terrestre" com o máximo de 4 estrelas (Excepcional).
"Diário de Lisboa" [24-12-1982]
Das que li neste jornal, pelo menos no que toca a blockbusters paridos do imperialismo americano, esta será das críticas mais construtivas, ao apontar os pontos fracos mas também a sublinhar o arrojo do conceito e da execução da película. 
Clicar na imagem para aumentar:

"Diário de Lisboa" [24-12-1982]

Uns dias mais tarde, a crítica foi bem resumida da seguinte forma, que subscrevo:

"Diário de Lisboa" [31-12-1982]
E décadas depois da sua estreia cá estamos a falar sobre ele.

Como não encontrei ainda a versão nacional, o poster do topo do post é o espanhol.

"Tron" (1982) - Enciclopédia de Cromos


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Regresso Ao Futuro (1985) A estreia em Portugal



"Regresso Ao Futuro" é um dos meus filmes favoritos, que não deve existir português que nunca tenha visto, tantas as vezes que a trilogia passou nas nossas TVs. Tenho em casa um box em DVD, várias cassetes VHS com o filme e as continuações (filmadas em simultâneo). A saga aliás merece um cromo mais extenso, mas como no dia de hoje se comemora mais um aniversário da estreia deste primeiro capítulo nos EUA - a 3 de Julho de 1985 - fui vasculhar os arquivos onde guardo material que recolho da Internet, e lá estavam algum apontamentos da imprensa da altura em que este clássico estreou em Portugal, a 19 de Dezembro de 1985, mesmo ao queres da época natalícia. A primeira vez que o vi foi na RTP, mas é daquelas maravilhas que nunca cansa o espectador, com a sua mistura perfeita de ficção científica, comédia, nostalgia, um grande elenco encabeçado por Michael J. Fox ("Quem Sai Aos Seus") e Christopher Lloyd ("A Família Addams"), banda sonora e realização de um dos "aprendizes" de Steven Spielberg (aqui produtor), Robert Zemeckis ("Quem tramou Roger Rabbit?", "Em Busca da Esmeralda Perdida" ou o meu favorito "Contacto"). Vamos ver então o que se disse em Portugal sobre as desventuras de um teenager dos anos 80 que viaja aos anos 50 na máquina do tempo do seu excêntrico amigo inventor.


O quadro com "as estrelas", as pontuações dos filmes em exibição nos cinemas nacionais, do jornal "Diário de Lisboa":
"Diário de Lisboa" [20-12-1985]
O nosso herói Marty McFly safou-se com apenas 3 estrelas. A continuação de um clássico de acção dos anos 80, "Rambo - A Vingança do Herói" foi corrido bolinha preta!

No suplemento "Cartaz":

"Diário de Lisboa" [20-12-1985]

"As ficções com a marca de Spielberg na aurela continuam a dominar o êxito e a congregar aplausos. É como se ele tivesse descoberto uma fórmula mágica que fabricasse entretenimento com um simples estalar de dedos". 
Como esperado, o tradicional pessimismo da crítica portuguesa conclui que apesar de todos os pontos positivos que lista: "Mas... Mas o cinema pode ser só isto?".


A crítica de Jorge Leitão Ramos, que elabora em mais detalhe não sobre o filme mas o rumo a que os sucesso dos filmes de Spielberg e Lucas poderiam conduzir o cinema. Interrogações legítimas, um 'debate' que mais de 3 décadas depois ainda continua. Este texto podia ter sido escrito na segunda década do século XXI por algum dos meus colegas bloggers preocupados com os blockbusters actuais. Sem querer parecer outro velho do Restelo, queria eu que Spielberg e Lucas ainda fossem o padrão para o cinema de entretenimento...

Clicar para aumentar:

"Diário de Lisboa" [31-12-1985]


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